Otimismo…
Cristiano M. Costa levanta uma hipótese otimista sobre os países emergentes aqui. Isso, para quem não está acostumado, é teoria econômica…
Cristiano M. Costa levanta uma hipótese otimista sobre os países emergentes aqui. Isso, para quem não está acostumado, é teoria econômica…
Foi feita pelo Cláudio Shikida aqui. O vitorwilher.com também observa essa correlação…
Não sei como eu consegui escrever coisas desse tipo aqui. Inspiração, quanta falta você me faz…hehehe
O Banco Central divulgou hoje de manhã o seu Relatório de Inflação de Junho/2009… O devorarei nesse final de semana aparentamente chuvoso no Rio de Janeiro e tecerei comentários na próxima semana…
A semana foi um pouco tensa devido a “choques externos”… Aos poucos o vitorwilher.com voltará a ser atualizado com maior frequência…
Criticar o governo Lula, convenhamos, não é nada difícil. Basta citar que existia uma Secretaria Especial da Pesca e Aquicultura. Agora ela cresceu! Virou Ministério da Pesca e Aquicultura… Não é fantástico?!?! Imaginem o quanto de empregos essa mudança não gerará?!? Imagine o impacto disso no setor?
O Brasil, senhores, tem o maior potencial hídrico do mundo e produz (muito) menos pescado do que o Japão…
Mas fiquem tranquilos: o novo Ministério está ai para acabar com isso…
Isso, além de empregar os amigos de Lula, gera boas piadas na mesa do bar…
ps: Créditos para A Outra Face da Moeda.
Foi divulgado pelo Ministério da Saúde dados positivos sobre o impacto da lei seca no trânsito brasileiro. As internações e óbitos diminuíram em mais de 20% nas capitais do país.
Isso sugere que as pessoas reagem a medidas punitivas. Ou seja, quando o Estado toma uma postura de fiscalização/punição sobre determinado comportamento negativo, as pessoas tendem a modificar suas respectivas posturas.
A lei seca mexe, portanto, com os incentivos. Hoje há no Brasil um marco regulatório que pune (de forma rigorosa) o motorista que dirigir e beber qualquer quantidade de bebida alcóolica. Esse é o ponto positivo da lei: as pessoas ficam receosas de dirigirem alcoolizadas pois podem, de fato, sofrer punição por isso. Aliás, qualquer lei deve ter esse poder, o de mexer com o comportamento das pessoas.
O único porém (sempre há) do marco regulatório é o custo de fiscalização. Isto porque, os agentes são racionais. Se não estiver ocorrendo uma efetiva fiscalização nas estradas e vias urbanas, as pessoas começarão a não mais temer a punição - aliás isso foi verificado três meses depois do lançamento da lei, quando o número de mortes aumentou.
Resumindo: a lei traz benefícios (redução de mortes), mas traz custos adicionais de fiscalização. Como bem sabe o leitor deste blog, não há almoço grátis…
ps: e-book interessante sobre a lei seca aqui.
A frase acima entre parênteses não é minha. A li na traseira de um carro quando estava dando minha caminhada matinal de domingo. Achei interessante o tema e resolvi escrever algumas palavras a respeito.
Em primeiro lugar consciência e vontade política são expressões de uma mesma tolice: achar que o ser-humano é um animal social, na expressão original de Aristóteles. Lamento desapontar os mais crentes e românticos, mas o ser humano responde a uma coisa que os economistas gostam muito: incentivos. Levou alguns séculos para que a filosofia de inspiração aristotélica fosse substituída pela que realmente trata dos incentivos. Nesse sentido, gosto muito do que Thomas Hobbes (1588-1679) escreveu sobre a natureza humana - regida pela satisfação incontrolável de seus próprios desejos.
Como o leitor deve ter percebido, existe um paradoxo (um trade-off, como gostam novamente os economistas) entre essa natureza humana recheada de paixões e desejos e aquele animal social aristotélico. É o velho (e não resolvido) dilema entre individualismo e coletivismo. Pensar no particular ao invés de pensar no todo.
O ser-humano aristotélico é perfeitamente capaz de reagir a campanhas de conscientização social - que renego veementemente aqui. De fato, ele não fuma em locais fechados, ele não dirige após ingerir bebida alcoólica, ele não estaciona em vagas destinadas a deficientes físicos, ele não recebe propina para que um empresário ganhe uma licitação entre outras coisas. Por que ele não faz isso? Acertou quem disse que ele não faz essas coisas simplesmente porque ele não existe. A construção aristotélica baseada no animal social não tem validade se confrontada com o mundo real.
Em nosso mundo as pessoas fazem todas aquelas coisas e muitas outras porque pensam apenas em seus próprios interesses. Isto significa que a frase que o companheiro colocou no carro é duplamente equivocada. Não falta consciência, nem vontade política. O que falta para o Brasil (e qualquer outro país) se tornar civilizado e desenvolvido é uma estrutura de incentivos corretos.
Como se obtém isso? Acertou quem respondeu instituições. É muito difícil (talvez impossível para quem segue Douglass North) construir uma nação sem instituições que sinalizem um comportamento econômico (e social) que estão em conformidade com o desenvolvimento. E isso se aplica a praticamente tudo dentro de uma sociedade.
Nós brasileiros nos desprezamos muito. Achamos que dada a nossa colonização, só vieram para cá prostitutas, ladrões e toda sorte de pessoas medíocres. O resultado: nosso povo só pensa em festa, em se dar bem às custas dos outros… Esse é um pensamento tolo e até mesmo infantil se for feito um estudo sério de nossa História.
O cidadão médio é ignorante quanto a temas relevantes (geopolítica, energia, eleições…) em qualquer lugar do mundo. Na América do Norte, na Europa, na Ásia, enfim, em todo o canto do planeta o “agente representativo” só olha mesmo para o próprio umbigo. Ele não tem consciência social e nem quer ter. Os políticos então, nem se fala: são iguais em toda parte. A grande diferença entre o mundo desenvolvido e o não-desenvolvido se chama instituições. Naquele elas existem, neste elas engatinham.
O mundo latino-americano, que nós brasileiros conhecemos bem, é regido por relações pessoais, por informalidade. Para instalar uma indústria nesses países é condição necessária ter um contato no governo. Os contratos não contam com um aparato jurídico sólido. A informalidade das relações sociais gera um clima nada amistoso para a construção de um ambiente de negócios estimulante. Pelo contrário, quanto mais informal (e burocrático) for tal ambiente, menor será o nível de desenvolvimento da região.
O companheiro que colou o adesivo “O que falta é consciência e vontade política” foi iludido. Quis ser politicamente correto (afinal, tá na moda!) e fez propaganda de uma grande besteira…
O que deve ter acontecido: alguém fez cagada e desativou um PTS (Ponto de Transferência de Sinalização). Não havia redundância, i.e., não havia outro PTS para escoar as mensagens de sinalização das centrais telefônicas. Logo, houve uma parada em grande parte da rede da operadora.
Isto é um problema humano ou é um problema de planejamento? Os dois. Humano porque alguém fez merda. De planejamento porque se existisse redundância, a pane não seria tão grande.
Problemas de sinalização demoram para ser resolvidos? Sim. Por quê? Porque é preciso alocar especialistas para reativar a central PTS, depois é preciso reativar os links de sinalização que ficaram “out of service”. Isso também demanda gente bastante qualificada - que saiba “pensar sistematicamente” e não fique olhando apenas para o seu próprio umbigo, i.e., para sua própria tecnologia. Isso é deveras complicado em qualquer operadora.
Algum especialista da Telefônica pode comentar a respeito…
Nestes dias frios de junho tenho tido muito pouco tempo para ler o noticiário econômico e principalmente para escrever aqui neste espaço. Uma junção extraordinária de trabalho e estudo tem sido responsável por essa minha escassez de tempo. Mas estamos chegando perto do fim…
Enquanto isso, foi divulgado o PIB do 1o. Trimestre. Nada muito diferente do previsto - apesar de os jornalistas estarem noticiando um “resultado melhor do que o previsto”. O PIB caiu, na comparação com o trimestre imediatamente anterior. E é isso que importa, ponto. Há, por suposto, espaço para que o Banco Central reduza a SELIC hoje (entre 0,75 e 1 ponto percentual), já que os preços estão sob controle.
Essa continuação da redução dos juros combinada com a melhora das expectativas no cenário internacional (simbolizada pelo fluxo positivo de dólares para o país) são condições necessárias para a retomada da expansão do PIB já no próximo semestre. Há até quem aposte em números positivos para o acumulado de 12 meses. Não ouso “chutar” um número específico, mas que o cenário mudou, isso não tenho dúvidas…
No mais é resolver minhas pendências e continuar acompanhando o desenrolar da crise… Em breve também prometo aos meus 23 leitores um artigo de conjuntura…
Para o apaixonado por macroeconomia uma dica boa é olhar os slides da apresentação do NEPOM aqui.
Inté!
Bom, amigos, como todos sabem, estamos diante de uma grande tragédia na aviação mundial. O porta-voz da Air France disse que o Airbus A330 pode ter sido atingido por um raio e, por isso, ter caído. Isto é possível? Com a palavra o meu amigo Richard G.M., piloto de avião. Leia-o aqui.
ps: este blog se solidariza com as famílias das vítimas.
Na última sexta-feira à noite fiquei recluso em casa. Acabei assistindo a uma matéria interessante do Globo Repórter sobre a dieta dos franceses. Uma das incurssões do programa era que uma parte dos pecuaristas franceses estava alimentando seu gado com linhaça. Isso fazia com que a carne fosse rica em Ômega 3, reduzindo o risco de doenças cardíacas.
Legal, não? A questão do post não é propriamente sobre a reportagem do programa global e sim o que eu pensei ao assisti-lo. Logo que a repórter começou com a estória da linhaça eu tive três questionamentos:
1) a carne e o leite ficarão mais caros, dado que houve um aumento no custo da alimentação do gado;
2) Os consumidores estarão dispostos a pagar a mais por esses produtos?
3) Quem garante que os produtos nas gôndolas dos supermercados são de gados alimentados com linhaça? Isto é, é necessário que exista um orgão regulador…
Ao longo da reportagem são respondidos esses questionamentos que tive. Os produtores conseguem margens maiores para esses produtos, dado que atingem consumidores com preços de reserva maiores (e, claro, preocupados com a saúde, o que é um mero detalhe… o importante para o economista é se ele tem dinheiro para comprar). Além disso, o Ministério da Saúde francês regula o setor, alocando um “selo de qualidade” para os produtos com linhaça, gerando assim um mecanismo de credibilidade.
Achei interessante porque meus pensamentos foram automáticos. Não me forcei a “pensar como economista”. A coisa veio de forma natural.
Não há mais volta para mim… Estou viciado nessa coisa de ser economista…hehehehe
Quem ainda acha que existe uma “taxa de equilíbrio entre R$ 2 e R$ 2,10″ vai quebrar a cara… O dólar, como diz meu professor-orientador, é a “mais heterodoxa das variáveis”…
A única coisa que os economistas podem prever com relação a taxa de câmbio é a tendência. De alta ou de baixa (desvalorização ou valorização). Tentar plotar uma taxa de câmbio de equilíbrio já é demais…
No atual momento pode-se dizer que existe uma tendência de valorização do real. Isto porque, a aversão a risco está diminuindo entre investidores estrangeiros, o que atrai mais dólares para o Brasil, presionando a taxa de câmbio para baixo. Até que nível pode chegar? Ninguém sabe…
Basta que aconteça algo de inusitado nas próximas semanas para que haja um aumento da incerteza e da aversão a risco no mundo. Fuga de capitais do Brasil, pressionando a taxa de câmbio para cima - desvalorização do real. Tudo é muito volátil e delicado, dai a dificuldade de modelagem.
Como está na moda, que tal fazer “testes de stress”?!?! hehehehe
ps: a Exame dessa semana traz matéria sobre se é bom ou ruim um real mais apreciado - uma velha e gasta discussão. Leia-a aqui.
ps 2: O Cristiano M. Costa faz uma análise do fim da crise e tece alguns comentários sobre a desvalorização do dólar no mundo. Leia-o aqui.
É a tese de Sin Ming Shaw. Leia-a aqui.
PS 1: O blog dele tem coisas interessantes…
PS 2: Apesar de muito emotivo, há algo a se aproveitar no texto dele…
O suspeitíssimo jornalista Luis Nassif, que entre outras coisas é colunista do jornal O DIA, publicou um post em seu blog criticando o Dia da Liberdade de Impostos, promovido pelo Instituto Millenium (IMIL), pelo Ordem Livre e Mises Institute Brasil.
Desde que internalizei o fato de que os jornalistas brasileiros entendem muito pouco de economia, já não dou mais bola para o que eles dizem. Nesse caso específico, entretanto, Luis Nassif refere-se de forma equivocada a um evento do Millenium, do qual participo. Nesse contexto, não posso deixar de fazer um breve comentário sobre o seu post.
Reproduzo-o abaixo (de forma integral e em itálico) e coloco os meus questionamentos (em negrito):
“Ontem o Instituto Millenium, do Rio Grande do Sul, lançou a campanha “gasolina sem impostos”. Escolheram meia dúzia de postos no Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas. Eles vendem a gasolina sem cobrar a CIDE - que será paga pelo Instituto. A ideia é mostrar como o governo tunga os contribuintes com impostos”.
O IMIL não é do Rio Grande do Sul e sim do Rio de Janeiro e como dito logo no início o evento não foi promovido apenas pelo IMIL, mas também por outros think thanks. Foram quatro postos de gasolina em quatro Estados (ele esquece de mencionar justamente o Rio de Janeiro). Além disso, a gasolina não foi vendida apenas sem cobrar a CIDE - foram descontados outros impostos, tais como ICMS, PIS, COFINS, INSS….
“A quantidade de postos era irrisória; os ecos na mídia, desproporcionais”.
A quantidade de postos era simbólica e não irrisória. A idéia era mostrar como um produto pode ser mais barato se a carga tributária que incide sobre ele for reduzida. Além disso se houve “ecos desproporcionais na mídia” é por apenas um motivo: o brasileiro já está cansado de pagar tanto imposto e vê com bom grado iniciativas como esta do IMIL.
“Fazem parte do Conselho de Governança do Instituto Gustavo Franco e alguns próceres da mídia, como Roberto Civita e João Roberto Marinho. O gestor do fundo patrimonial é Armínio Fraga. O Conselho Editorial é composto por Antonio Carlos Pereira - chefe dos editorialistas do Estadão - e do inacreditável Eurípedes Alcântara, da Veja”.
Há algum problema nisso? O jornalista mostra profundo desprezo pelo pluralismo político…
“A ironia da história é que a CIDE foi criada por um governo do qual faziam parte Gustavo Franco e Arminio Fraga. Foi reduzida recentemente”.
Agora está explicado porque o jornalista coloca a CIDE como único imposto que foi descontado no evento: ele queria desmoralizá-lo, já que tal taxa foi criado no governo FHC - de quem ele deve ser profundo crítico, dada sua profunda dificuldade em entender economia. Como dito anteriormente, a CIDE foi apenas um dos impostos que foram descontados. Tai um belo manipulador da opinião pública: utiliza os dados de modo a provar suas teses.
“É importante haver centros de pensamento liberais de bom nível - assim como de outras tendências. Mas não se pode enveredar pela fabricação de factóides que, em vez de elevar o debate, acabam denotando oportunismo político”.
Mais um exemplo de manipulação. O jornalista primeiro se diz a favor do debate, mas não tem condições mínimas de debater algo. Como, pergunto, elevar o debate se o senhor Luis Nassif não tem condições de entender o significado de eventos simples, como o promovido pelo Instituto Millenium?
É triste, caro leitor, mas é mais uma prova de que a formação de jornalista deve melhorar muito em nosso país…
O problema disso é que o jornalista é um formador de opinião. Basta dar uma olhada nos comentários dos seguidores do Nassif para ver o estrago que um jornalista mal formado faz…
PS: Rodrigo Constantino publica artigo em O GLOBO sobre o evento. Leia-o aqui.
A Veja.com publica matéria sobre o “PIB” dos 21 maiores clubes brasileiros de futebol. À primeira vista a soma pode parecer muito grande: 1,418 bilhão de reais. Mas não é. Se você considerar a desorganização com o que o mercado de futebol é conduzido no país e como outros países ganham muito mais dinheiro com esse serviço, essa soma é irrisória.
Em todo o caso, achei a iniciativa bastante interessante. Para ler a matéria na íntegra clique aqui.
Créditos para Cristiano Costa, que tece comentários sobre a matéria aqui.
O jornal O Globo de ontem trouxe interessante matéria sobre a indexação da economia brasileira e o impacto disso na estrutura de juros do país. Para os que leram a matéria e para os que gostariam de saber um pouco mais a respeito escrevo este breve post.
A chamada “indexação” é um processo pelo qual os preços são reajustados seguindo determinados índices escolhidos previamente. Ela se originou da criação do instituto da correção monetária, que objetivava servir como parâmetro de reajuste para alguns preços da economia por um tempo determinado - isto ainda no governo militar. Ao longo dos anos e décadas, entretanto, esse instrumento se generalizou pela economia brasileira, dado o aumento constante da inflação.
Com essa generalização a inflação brasileira passou a contar com um componente inercial, i.e., a inflação futura era, no mínimo, igual a inflação passada, somada a eventuais choques de oferta e demanda.
Qual é o problema nisso? O problema é que os instrumentos clássicos de combate à inflação (políticas monetária e fiscal) têm pouca funcionalidade para lidar com “inércia inflacionária”. Para lidar com esse problema é preciso, primeiro, zerar a “memória inflacionária” dos agentes econômicos, de modo que eles eliminem esse componente inercial e passem a considerar somente demanda e oferta para compor os preços da economia.
Complexo, não? De fato não é um dos temas mais simples de ser explicado em economia brasileira e monetária. A questão que fica é justamente como eliminar essa “memória inflacionária”. O Brasil passou toda a década de 80 tentando fazer isso via congelamento dos preços da economia. Isso, entretanto, não era eficaz em combater o elemento inercial da inflação, de modo que, tão logo os preços voltassem a ser minimamente flexíveis, os empresários buscavam recompor suas perdas, aumentando os preços.
Como qualquer brasileiro sabe, só conseguimos debelar esse “componente inercial” da inflação brasileira com o instituto da URV (Unidade Real de Valor). Apesar disso, como retrata a matéria de O GLOBO, ainda hoje existem vários preços indexados na economia (chamados também de “preços administrados”). Em que medida isso é ruim?
A matéria de O GLOBO fica “em cima do muro” nesse sentido. Ela registra, de fato, que a manutenção de pisos de juros para cadernetas de poupança, de dívidas dos Estados e municípios, de fundos de pensão, entre outros, faz com que a própria SELIC tenha um piso. Em tese, ela não poderia cair abaixo de 9% a.a., pois mexeria com um suposto equilíbrio no mercado financeiro.
Os economistas concordam com isso. Em um cenário de inflação alta era perfeitamente admissível conviver com preços e juros tabelados (ou indexados). Entretanto, em um cenário de inflação estável estabelecer tais tabelamentos ou pisos não faz nenhum sentido. Há tempos que os juros básicos (a SELIC) vem caindo no país. Pergunto, então: O governo não pensou nisso?
Pensou, me apresso em responder. Pensou tanto que construiu um “monstro” com as novas regras (?) de rentabilidade e tributação da poupança…
Em outra parte da matéria O GLOBO faz um “mea culpa” com relação aos preços indexados. Ela registra que cerca de 40% dos preços que compõem o IPCA são administrados (direta ou indiretamente). Isso, diz o jornal carioca, seria benéfico por possibilitar uma certa estabilidade à inflação, apesar de ao mesmo tempo não ser atingido pela política monetária.
De fato, existem alguns preços que devem ser administrados, como os preços de mercados regulados (remédios, telecomunicações, transporte público etc.). A questão não é se o preço é administrado ou não. A grande questão nesse aspecto é a qual índice o preço será indexado. Nesse sentido, não vejo a existência de preços administrados como fator de estabilidade - em momentos de deflação como o atual, o reajuste automático de preços é sim um fator de desestabilidade.
A persistência de um “componente inercial” nos preços da economia brasileira é mais maléfica do que propriamente benéfica. A indexação gera um piso para os preços, de modo que não se pode ir abaixo dele. Nesse sentido, é urgente que o governo enfrente de vez esse problema. Coisa que a administração da Silva não mostra sinais de querer fazer…
Acontecerá no próximo dia 25 de maio, no posto de gasolina Repsol do Canecão, no Rio de Janeiro. Para maiores informações clique aqui.
Como escritor eu deveria ser a favor da nova lei, não é mesmo? Ora, estão protegendo o Direito Autoral. Estão lutando contra os terríveis e mal intencionados piratas! Por que, então, tudo isso tem cheiro de idiotice para mim?
O próprio site G1 trata de disvendar o mistério:
“As maiores dúvidas dos franceses são com relação à aplicação dessa lei. E se o vizinho do lado, por exemplo, roubar o sinal sem fio da Internet da sua casa? E se um hacker acessar o seu computador? E o governo, ao controlar seus acessos, não está invadindo a privacidade da sua casa, se transformando em um “Big Brother”, que tudo vê, tudo vigia?”
A nova lei não resolve o problema original e acaba criando outro. É claro que as pessoas devem receber pelas suas obras. A questão que se coloca no mundo de hoje é totalmente outra: como receber em tempos de custo marginal nulo.
O software, a música, o e-book etc. podem ser reproduzidos sem custo algum. E não adianta tentar colocar código de proteção, porque mais cedo ou mais tarde, alguém desvenda o código e continua a divulgar pela internet. Os empresários desse setor devem sim encarar essa “mudança de paradigma” como um sinal de que é preciso reorientar seus negócios…
É, portanto, bobagem tentar criar uma lei como essa. O melhor a fazer é buscar novos modelos de negócio, como está fazendo a Saraiva. Todo mundo sabe que os novos formatos de aúdio e vídeo e a possibilidade de fazer download dos mesmos via internet modificaram sensivelmente o modo como se ganha dinheiro com esse tipo de produto. Ora, a questão que fica é: como gerar um negócio rentável dentro desse novo conceito?
Leia abaixo um trecho da matéria da Exame sobre o case Saraiva:
A inovação transforma os negócios. O impacto dessa nova realidade será cada vez maior conforme o número de acessos banda larga aumentem ao redor do mundo. Não há retorno. Os empresários do setor têm de se acostumar com isso…