Sem medo do passado

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso elevou o tom das críticas ao atual governo. Em artigo publicado ontem no jornal O GLOBO, o czar tucano descreveu com grandes detalhes as conquistas da sua administração e condenou, de forma bastante categórica, os “impulsos toscos e perigosos” do presidente petista.

Além disso, alertou para a estratégia de guerrilha que provavelmente será utilizada pelo PT nas eleições. O trecho abaixo do artigo é bastante interessante:

“Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas, os dados, ora os dados… O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas, Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal. Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado”.

Não há dúvidas de que o PT repetirá a estratégia de 2006, no qual foi bem-sucedido. Condenar e ridicularizar os dois governos FHC fazem parte do mote petista. E, claro, há na sociedade brasileira grande repulsa e aversão aquele período. Culpa do próprio PSDB que não soube defender seu quinhão de forma convincente, como venho dizendo aqui há um bom tempo.

Acho louvável que o próprio FHC, assim como todos os demais tucanos, venha a público defender aquele período. Não há justificativa para que o PT fique com os louros de todo o arcabouço institucional, econômico e social criado pelo governo tucano.

Para ler o artigo completo de FH clique aqui.

Terrorismo eleitoral petista…

O ex-ministro Paulo Renato toca na ferida: os petistas irão jogar sujo nessa eleição para conseguirem se manter no poder. Você, leitor amigo, tem dúvidas?

As revelações do ENEM 2009

O INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) divulgou uma nota à imprensa titulada “Para entender a nota do Enem”. Nesta há a distribuição percentual das notas dos estudantes em quatro áreas do conhecimento (Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas) mais redação. Os resultados são bastante interessantes.

Em matemática, por exemplo, em uma escala que vai de 345,9 a 985,1, menos de 5% dos alunos ficaram com notas maiores do que 700. Já em Linguagens, em uma escala de 224,3 a 835,6, apenas 2,1% dos alunos tiveram nota maior do que 700…

Os dados apontam para uma constatação acaciana: não conseguimos ensinar português nem matemática para nossos alunos. Isolo estas disciplinas por considerá-las as mais importantes na formação de uma criança. São matérias que servem de pré-requisito para todas as demais áreas do conhecimento. Se o aluno possui uma boa formação em matemática e português é bem mais provável que consiga obter êxito em todas as outras disciplinas. Ensinar nossas crianças a ler, escrever e fazer contas é algo que deve ser perseguido com afinco pelo sistema educacional brasileiro.

O governo Lula avançou muito pouco em matéria de educação. A criação do IDEB, a aprovação do FUNDEB e a criação de um Programa Nacional de Formação de Professores são pouca coisa para quem esteve 7 anos no poder. A realidade que o ENEM aponta hoje continuará sendo vista daqui a 10 anos se nada for feito. Continuaremos formando jovens que não dominam línguas e matemática. Por consequência possuem dificuldades em entender qualquer outra coisa. Até quando enfrentaremos isso?

Para ler a matéria do INEP clique aqui.

A opção por custos mais altos

Existe atualmente um paradoxo irremediável entre crescimento econômico e meio ambiente. Não são poucos aqueles que identificam a impossibilidade de gerar desenvolvimento econômico sem afetar os recursos naturais de um país. De fato, mesmo o desenvolvimento dito sustentável gera problemas, ainda que menores, ambientais. No Brasil atual, o governo petista utilizou de um subterfúgio para driblar tal dilema e expandiu a matriz energética por meio de termelétricas. A pergunta que nos cabe fazer, entretanto, é se essa opção é a mais eficiente, seja em termos de custo ou impacto ambiental.

Há entre os ambientalistas uma grande rejeição à construção de usinas hidrelétricas com reservatórios. Isto porque, para viabilização das mesmas, é preciso que cidades inteiras sejam alagadas, gerando impactos tanto para as populações envolvidas quanto para a fauna e flora locais. Não é por outro motivo que os principais projetos hidrelétricos atuais (Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, em Rondônia e Belo Monte, no rio Xingu, Pará) não possuam reservatórios, sendo movidos apenas pelo curso dos rios onde foram implementados.

Isso, entretanto, gera uma externalidade negativa bastante interessante. A hidrologia de um rio não é linear durante o período de um ano. Ela é composta por um período seco, onde os índices pluviométricos são mais escassos, e por um período úmido, onde tais índices são mais elevados. Tal distribuição entre períodos secos e úmidos gera o chamado risco hidrológico, que afeta diretamente a geração de energia e deve ser cuidadosamente administrado.

Em usinas hidrelétricas com reservatórios, tal risco é administrado internamente. Ou seja, nos períodos úmidos acumula-se água nos reservatórios para que a mesma seja utilizada nos períodos secos. Nesse contexto, é possível distribuir a geração de uma usina de forma mais linear ao longo de um período de tempo. Já em usinas hidrelétricas a fio d´água (sem reservatórios) tal risco deve ser administrado de forma externa à usina.

Como a mesma não possui reservatórios, em períodos secos ela deve reduzir (ou até mesmo interromper) a geração de energia. De modo a atender a demanda de energia, entretanto, é preciso que existam fontes complementares de geração. No Brasil atual essa complementação é feita através de usinas termelétricas, que utilizam como insumo carvão, derivados de petróleo, gás etc.

Nesse contexto, em termos de custo, a geração hidraúlica é muito mais eficiente do que a geração térmica. Isto porque, o insumo daquela é muito mais barato do que o insumo desta. Não há muitas dúvidas, portanto, de que a opção brasileira pós-racionamento é por uma estrutura de custos muito mais elevada, se continuarmos dando preferência às usinas térmicas e hidrelétricas a fio d´água na expansão da oferta.

Mesmo em relação ao impacto ambiental não fica evidente se fizemos uma escolha correta. Isto porque, a expansão via térmicas, além de ser mais custosa, polui nossa matriz energética, pela emissão de gás carbônico para a atmosfera. Desse modo, as únicas justificativas políticas razoáveis para a expansão via térmicas são o menor período de construção e a existência de um impacto ambiental ex-post.

E não é por outros motivos que tal expansão foi feita através da construção de usinas termelétricas e hidrelétricas sem reservatórios. A questão política foi primordial. Isto porque, não se justifica, seja via custos ou impacto ambiental, o atual desenho da expansão energética brasileira. Tal opção é nitidamente por maiores custos e, possivelmente, por maior agressão ao meio ambiente no horizonte futuro.

Lula fica doente e ao invés de ir para o SUS…

Quando li sobre a “crise” hipertensiva que o nosso grande presida teve pensei cá com meus botões: por que o filho do Brasil não foi para um hospital estatal?

Ora, caro leitor, é até incoerente o presidente da República recorrer a um hospital privado para tratar-se, como fez nosso digníssimo comandante-em-chefe! É atestar que ele não tem a menor preocupação em reestruturar o Sistema Único de Saúde (SUS) e que seus discursos sobre esse assunto não passam de bravata barata e ridícula.

Mas se isso já é motivo de irritação por parte desse blogueiro, a coisa não pára por ai não! O Reinaldo Azevedo, em seu blog, joga no ventilador a incoerência lulística publicando o que ele teria dito em Pernambuco, dias antes de passar mal de hipertensão:

“Eu (não?) quero ser o primeiro paciente dessa UPA aqui. Eu tava visitando a UPA, e eu quero dizer que ela tá tão bem-organizada, ela tá tão bem-estruturada QUE DÁ ATÉ VONTADE DE A GENTE FICAR DOENTE PARA SER ATENDIDO AQUI. Deus queira que nenhum de vocês, pelo menos hoje, precise ser atendido pela UPA, que vai começar a funcionar amanhã. Eu acho que aquela muiezinha que sofreu um desmaio já tá lá na UPA. Então, já começou a funcionar”.

E então leitor, esse cara merece mesmo o seu voto?

Nota Fiscal eletrônica e inflação

Em um almoço nessa semana com um grande amigo dos tempos de Telemar, foi abordado um tema no mínimo curioso, que me fez pensar por alguns instantes. Meu amigo trabalha atualmente em uma distribuidora de alimentos e está envolvido no processo de migração para a Nota Fiscal Eletrônica (NFe), um novo instrumento projetado pelo governo federal que visa simplificar a vida dos empresários brasileiros e reduzir a sonegação fiscal.

A questão relevante do almoço sobre esse assunto não foi propriamente a operacionalização do novo sistema, mas sim o impacto do mesmo na, veja você, inflação. Isso mesmo, o leitor não leu errado.

A questão toda é baseada em duas hipóteses: 1) a sonegação é alta no país; 2) o dinheiro sonegado não fica com o empresário, mas é repassado para os preços – reduzindo-os. Dependendo de quão forte forem essas duas hipóteses na economia brasileira e se a NFe conseguir de fato reduzir a sonegação fiscal, é factível imaginar que haverá repasse para os preços, o que acarretará um repique inflacionário.

A idéia é interessante e merece a atenção dos economistas de plantão…

“O filho do Brasil” sofre críticas…

É o que se lê aqui.

Minha opinião sobre isso aqui.

Eleição plebiscitária é o que há… Para o PT, claro!

Em “Viva o pós-lulismo!”, comentei sobre o fato de que uma eleição plebiscitária neste ano deve ser tudo o que o PT quer (e a oposição NÃO deve querer). O nosso presidente-czar Lula já abriu a primeira reunião ministerial do ano apostando nessa estratégia para levar sua candidata ao planalto em 2011.

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou nesta quinta-feira, na Granja do Torto, a primeira reunião ministerial do ano. No encerramento do encontro, Lula disse aos ministros que pretende fazer uma “campanha eleitoral plebiscitária”, uma comparação de projetos realizados na sua gestão e durante os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso”.

Eu sinceramente não teria medo de uma eleição desse tipo se duas coisas fossem diferentes no Brasil: a) a população fosse educada; b) a oposição fosse razoável, no mínimo. Como nenhuma dessas duas condições são satisfeitas, tenho receio de que uma eleição plebiscitária acabará levando a ministra Dilma ao poder no próximo mandato.

A oposição brasileira é fraca, diria fraquíssima. Se conseguiram perder em 2006, com todo a lama que havia no governo petista, imaginem agora, com toda essa simpatia que o mundo anda cultivando pelo Brasil?

Ministério da Pesca e Aquicultura: uma refutação aos comentários inocentes.

Há algum tempo atrás, por ter lido em um blog parceiro, escrevi um post bastante irônico sobre a criação por parte do governo Lula do Ministério da Pesca e Aquicultura – o post original pode ser visto aqui.

A ironia presente naquelas poucas palavras gerou um descontentamento muito grande nos partidários do governo Lula, como, sinceramente, já era esperado. Isto porque, o brasileiro médio é totalmente a favor do dirigismo estatal, da intervenção sem limites, dentre outras coisas…

Depois de tanto tempo escrevendo neste e em outros espaços eu aprendi que na internet a democracia é apenas “um retrato na parede”, como diria Drummond. As pessoas concordam ou discordam de determinada opinião e ponto. Poucos são aqueles que possuem a mente aberta, dispondo-se a ouvir a outra parte e assim gerar um debate construtivo sobre determinado assunto.

Por minha parte acredito que essa é a única maneira de aprender. O processo de aprendizado só é válido quando se confrontam opiniões e certezas sobre determinadas coisas. E é justamente por isso que, mesmo sob o ataque às vezes irracional de determinados comentaristas, mantenho e manterei algum espaço que sirva para esse tipo de debate.

A ironia presente no post é justamente um desabafo por tudo o que tenho visto do governo Lula. Como economista tenho a exata noção dos custos e incentivos envolvidos no processo de escolha, seja ela pública ou privada. Nesse contexto, não posso ignorar o fato óbvio que não é a simples criação de um ministério que gerará a mudança de paradigma em um setor específico. Sobre esse último aspecto, o comentário do engenheiro de Pesca da SEPAq (Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura do Estado do Pará) é esclarecedor:

“Acho que o problema principal está o fato de, esse ministério está atolado de políticos incompetentes, pessoas leigas no assunto e simplesmente ainda não dispor de quadro técnico especializado para deliberar e operacionalizar ações que realmente deveriam ser prioritárias para a categoria”.

É justamente o que apontou o engenheiro de pesca que me preocupou quando soube da notícia da criação de mais um ministério. Os exemplos de aparelhamento do Estado por parte do PT são muitos e devem, sim, ser tratados tendo em vista a noção de custo e benefício. Em outros termos, a pergunta que deve ser feita é se a criação de mais um ministério, com apadrinhados políticos, terá algum retorno sobre a atividade pesqueira.

Esse aspecto é, sem sombras de dúvida, de grande relevância para a análise. O debate sério e qualificado simplesmente não pode ignorar esse questionamento. E foi justamente isso que fizeram os comentaristas ao criticarem apaixonada e inocentemente o meu post. Seguiram o canto da sereia sem nem ao menos questionar os motivos atrelados à criação de mais um ministério.

A defesa do intervencionismo e dirigismo estatal é sempre cheia de retórica e paixão. Quase nunca vem acompanhada de argumentos sérios e/ou relevantes…

Por fim, cabe ressaltar que escrevo este post para dar cabo a tamanha inocência intelectual. Os que se motivarem a elaborar argumentos paupáveis, como sempre, são bem vindos a este espaço.

Uma oportunidade para entrar na bolsa…

É o que Cristiano M. Costa identifica aqui.

Deficit externo deve ser preocupação?

O crescimento da economia brasileira em 2010 deve gerar ao menos uma externalidade negativa: o aumento do deficit em conta corrente. Isto porque, com o aumento da renda, provocada pelo incremento da produção de bens/serviços, gera-se aumento das importações, reduzindo o saldo na balança comercial. Além disso, o maior fluxo de investimentos estrangeiros verificado nos últimos anos tem gerado um aumento considerável na remessa de lucros e dividendos para o exterior, o que faz aumentar o deficit em conta corrente.

A questão que segue é a seguinte: isso é preocupante? A resposta mais lógica é que sim, porque para financiar esse deficit é preciso contar com o contínuo fluxo de capitais estrangeiros para o Brasil. Ou seja, ficamos na dependência de um cenário externo bom e baixa aversão a risco, de modo que os investidores continuem mandando dólares para cá.

Uma reversão de expectativas pode dificultar o financiamento desse deficit e gerar uma imediata depreciação cambial. Isto, por sua vez, gera pressão inflacionária sobre a economia, o que aciona a política monetária e freia o crescimento econômico. Desse modo, sim, o deficit externo deve ser uma preocupação para os próximos anos.

Os que, pelo contrário, não veem tal questão como preocupante estão acreditando em uma continuação da atração de capitais por parte do Brasil. E isso, claro, depende de uma continuação da recuperação da economia mundial. Não digo que esse não seja um cenário factível para os próximos anos. A questão mais importante é a mesma que já toquei em artigo anterior (disponível aqui): por mais que tenhamos reduzido nossa vulnerabilidade externa conjuntural, ainda temos uma pesada vulnerabilidade externa estrutural.

E isso é representado justamente por deficits estruturais em conta corrente e a atratividade que a conta financeira possui. Não é outra coisa que caracteriza um país subdesenvolvido. Se quisessemos abandonar esse modelo de crescimento com poupança externa (que está ai não é de hoje), deveríamos promover reformas estruturais com o objetivo de aumentar os mecanismos de crédito, de modo a financiar o investimento de que precisamos.

Por fim, é preciso salientar que o deficit em conta corrente é sim preocupante. A redução da nossa vulnerabilidade externa é conjuntural. Continuamos expostos a reveses na economia mundial. Seria interessante que os analistas de plantão se demonstrassem preocupados com essa questão.

Racismo na UERJ

Isso é uma vergonha!

Os muros do Teatro Odylo Costa Filho, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), apareceram pichados com exortações racistas e símbolos nazistas na manhã desta segunda-feira. A Uerj foi a primeira universidade pública do país a adotar o sistema de cotas, em 2003. A universidade informou que está investigando para descobrir a autoria das pichações, que devem ser apagadas em, no máximo, dois dias.

racismo

A CF de 88 é muito clara a esse respeito: “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”.

O cidadão que fez isso não merece a água que bebe. Para mim é um animal, um delinquente, um merda, que deveria estar atrás das grades!

Universidades estatais gratuitas vs. Universidades privadas de qualidade questionável: a existência de uma causa a outra.

Artigo publicado no IMIL hoje discute a interessante correlação entre a existência de uma universidade estatal gratuita e o fato de as universidades privadas serem, na média, de qualidade questionável. O argumento principal é que um causou o outro.

Leia-o aqui.

A falência do sistema de ensino superior brasileiro

Enquanto o sistema estatal não competir com o sistema privado, coisas como essa se tornarão cada vez mais constantes.

Incentivos

Minha principal discordância com Aristóteles é sobre sua idéia de sociabilidade natural do ser-humano. Acho que ele radicalizou um pouco essa visão – nesse aspecto tenho mais afinidade com a explicação do Hobbes. Enfim, aqui não é esse o ponto (nessa manhã estou viajando um pouco). A questão é que Ari tinha clara noção da importância dos incentivos, como fica claro no trecho abaixo de Política:

“Aquilo que é comum para o maior número de pessoas recebe a quantidade mínima de cuidado. Os homens dão atenção máxima apenas para aquilo que lhes pertence; eles se preocupam menos com o que é comum para todos; ou se preocupam apenas até o grau que for do seu interesse individual. Mesmo quando não há motivo para a negligência, os homens são mais propensos a serem omissos em suas tarefas sempre que pensam que outro está se incumbindo dela”.

Ari não era bobo, sabia que os incentivos é que guiam as ações humanas. Tem muita gente boa por ai que parece não dar a devida atenção a isso…

Rio de Janeiro: somos diferentes, e daí?

Hoje, em minha leitura matinal, encontrei artigo sobre o Rio de Janeiro. O tema central do mesmo era a velha mantra de que devemos salvá-lo da corrupção, dos desmandos dos políticos e da criminalidade. Um bla, bla que não acaba mais, vindo de mais um jornalista que não entende de incentivos – não sei porque insisto em lê-los. Apesar do roteiro previsível, o simples fato de ter dado com ele me abriu os olhos para uma questão bastante interessante.

Final de Semana na Lapa com amigas paulistanas. Fomos ao Carioca da Gema curtir um sambinha. Por lá o que mais se ouvia eram sotaques diferentes. Mineiras aos montes, baianas, pernambucanas e até sulistas do Rio Grande… Isso não é uma observação pontual, caro leitor: o Rio de Janeiro concentra a maior parte do fluxo de turismo tanto interno quanto externo.

As razões para isso são óbvias e não tocarei nelas aqui. O que me deixa intrigado é que isso só revela o que há muito se sabe: O Rio de Janeiro é apaixonante. É claro que é cheio de problemas e, sinceramente, sempre continuará sendo. O nosso locus cultural é algo surpreendemente voltado para a acomodação, para o lazer, para coisas não tão sérias assim.

Nós nunca seremos como São Paulo, por exemplo. O Rio é uma cidade caótica desde que foi formada e dificilmente mudará. Por aqui já tentaram conceber “ordem e progresso” muitas outras vezes, mas nunca deu muito certo. O carioca parece não reagir muito bem à “choques civilizatórios”, diferentemente de outros povos brasileiros. Nossa cidade (e nosso Estado) tem uma vocação imensa para ser a babel do mundo. E é justamente isso que atrai tanta gente para cá, a despeito da violência e do caos urbano.

Fique claro que não estou defendendo essa realidade, mas apenas a apontando. Sinceramente, já estou de “saco cheio” de ler jornalistas que não leram nada na vida de sociologia e economia falando um monte de asneiras por ai. Também estou de “saco cheio” de ouvir pessoas de outros estados falando que o “Rio é uma zona, que tem muita violência e bla, bla, bla”.

Já disse inúmeras vezes que o Rio não é a cidade mais violenta do Brasil. A questão é que nossa violência está todos os dias nos telejornais, enquanto que pouco se divulgam os homícidios da zona leste de São Paulo ou de Recife. Nossas feridas estão todas abertas para quem quiser ver e falar abobrinhas. Não escondemos nossa miséria, não segregamos as pessoas (como fazem São Paulo, Curitiba, Brasília etc.). Definitivamente, o Rio de Janeiro não tem medo de ser o foco das críticas e das análises imbecis.

E talvez por isso, por nossa sinceridade, por nossos defeitos e, claro, por nossas belezas é que somos o destino preferido de 9 em cada 10 brasileiros. E se assim o é, porque ficar falando um monte de asneira? Por que concentrar-se no que “deveria ser” e não no que de fato é? Aceitem-nos como somos ou vão fazer turismo em Sampa – inauguraram uma ponte lindíssima por lá…

Novos professores para um novo mundo…

Meu artigo sobre a urgência de se modificar a formação dos nossos professores foi publicado no IMIL. Para quem ainda não o leu, basta clicar aqui.

PS: O “legítimo filho do Brasil” deu o que falar. Surpreendentemente recebi mais elogios do que críticas. Parece que meu círculo de amigos e conhecidos está mesmo entre aqueles 7% que não votariam em Lula nem com reza forte… :)

(Minha) Resolução de Ano Novo

Os leitores que por este blog passam notaram que pouco o atualizei nas últimas semanas. Peço desculpas. Foi um período de profusão festiva, por assim dizer. Quase não parei em casa, fui a muitos eventos comemorativos, revi uma infinidade de pessoas e refleti bastante sobre o decurso da minha vida nos últimos tempos.

Há dois anos que não faço as tais “resoluções de Ano Novo”. Talvez porque minhas obsessões, digo objetivos, tenham se mantido nesse período. Entretanto, para 2010 a coisa mudou um pouco de figura. O ciclo que estava vivendo se fechou e, portanto, é oportuno que se tenha uma nova cruzada para lutar. A que escolhi pode parecer para os que me conhecem um “mais do mesmo”, mas de fato não o é.

Ser escritor é um sonho que acalento desde a infância. Ocorre que o decurso de nossas vidas vai nos forçando a fazer escolhas que nem sempre se adequam aos nossos desejos juvenis. Apesar de escrever todos os dias, não me sinto um escritor, pelo simples fato de ainda não ter publicado um livro. Pois essa é justamente a realidade que pretendo mudar em 2010.

Os sonhos são coisas que todos nós temos (ou devemos ter). As pessoas sonham em ter um emprego melhor, morar em um lugar bacana, viajar, encontrar uma pessoa legal etc. Isso é extremamente importante para mantermos a alma sã e não sermos tomados por um realismo esquizofrênico. Mas apenas isso não basta.

Os meus objetivos nascem, de maneira geral, dos meus sonhos. Imagino-me vivendo uma determinada realidade durante um certo tempo. Reflito se tal realidade é algo que gostaria de viver ou se é apenas uma fantasia sem maiores pretensões. Caso seja, observo a “factibilidade” e a elejo como um dos meus objetivos de vida.

Não é automático, caro leitor. Na maioria das vezes esse processo leva o decurso de anos. Para que um sonho se torne um objetivo pessoal, é necessário que eu viva muitos invernos. Quisera eu que isso fosse assim mais rápido. Mas nem tudo é como gostaríamos que fosse.

O sonho de ser escritor é um exemplo típico. O acalento há uns 15 anos mais ou menos. Mas somente no ano passado o tenho encarado de frente. Stephen Koch não poderia estar mais certo quando disse o seguinte: “Primeiro, tente se tornar outra coisa, qualquer outra coisa… Você só deve se tornar escritor se não tiver escolha. Escrever tem de ser uma obsessão – é apenas para os que dizem: ‘Não vou fazer outra coisa’”.

Meus amigos sabem o quanto eu tentei me tornar “outra coisa”. Mas mesmo hoje, trabalhando em algo que me traz grande prazer, ainda acalento aquela insatisfação do tipo “falta alguma coisa” ou “não é isso…”. Ao contrário de muita gente, eu procuro não ignorar esses pensamentos. Muito pelo contrário: guardo as tardes de sábado para todos eles.

Os tais sonhos a que me referi, quando confrontados com a rotina que se esta vivendo, é que geram esses pensamentos, essa insatisfação interna. É como se uma voz inconformada te cobrasse a todo o instante que há algo em que se pensar…

Algumas pessoas acham que a mudança é um sinal de que se esta perdido. Eu não poderia discordar mais desse “argumento”. Ora, a vida é, por si só, um sistema extremamente dinâmico, onde um evento aleatório pode causar uma série de mudanças involutárias. Por que, então, eu, como agente pensante, não posso tomar as rédeas da vida e antecipar as mudanças ou responder à estímulos internos? Por que eu devo viver acorrentado a uma carreira, a um casamento, a um lugar?

No fundo, no fundo, a maioria das pessoas tem medo de despreender-se de suas rotinas e se entregar a algo absolutamente novo. Não me levem muito a sério, caros leitores: eu também já fui assim! Dar o primeiro passo é algo extremamente complicado. Exige um bom tempo – que varia de indivíduo para indivíduo – de reflexão. Aquele processo de transformação de sonho em objetivo é algo que demanda coragem e muita, mas muita determinação.

Mas rompida a primeira amarra que nos prende na caverna, o resultado é maravilhoso. É como se sentir livre, despreendido de qualquer sentimento de culpa ou de arrependimento. O que veio a minha cabeça quando dei o primeiro passo foi apenas uma coisa: “por que eu não fiz isso antes?”…

E é por tudo isso que, após ter tentado ser “várias outras coisas” que transformei na virada de 2009 para 2010 aquele sonho de ser escritor em objetivo, em obsessão. Essa é minha resolução de Ano Novo, a primeira depois de dois anos fechado para balanço. Sei das dificuldades hércules que terei pela frente para concretizá-lo, mas, cá entre nós, valeria a pena se não fosse assim? O leitor amigo já sabe a resposta… :)

Feliz Ano Novo para todos e faço votos que consigam transformar sonhos em objetivos!

O legítimo filho do Brasil

Para abrir 2010, um artigo sobre o legítimo filho do Brasil…

“Era 1º de janeiro de 2003. Uma chuva fina, porém constante, caía sobre Brasília. Nada que espantasse a multidão que para lá rumou naquele dia. De todos os meios – ônibus, carro, avião e até bicicleta! – uma legião de esperançosos lotou a Esplanada dos Ministérios.

O medo havia, enfim, passado. Após três tentativas frustradas, Luis Inácio Lula da Silva “amadurecera” e ascendia à condição de Presidente da República. Embalado por uma forte campanha de marketing, por um realinhamento político com partidos conservadores, como o Partido Liberal e, principalmente, pelo abandono de antigos dogmas econômicos, o Partido dos Trabalhadores tomava aquilo que achava ser seu por direito: o poder de escolher os rumos do país”.

Feliz 2010 a todos! ;)

Cada povo tem o governo que merece II

O post original é do Claudio, publicado aqui e baseada em uma pesquisa que diagnosticou a nossa “baixa aversão à corrupção”.

É o que o leitor deste blog já sabe há muito tempo: os políticos são agentes representativos da sociedade… E se eles são corruptos e ficam impunes, a culpa é de quem?!

PS: A redação do ENEM desse ano foi justamente sobre esse tema: “Como o indivíduo se posiciona frente à ética nacional”. E você, caro leitor, qual a sua posição? Tapa o sol com a peneira (diz que só os políticos são bandidos) ou já se conscientizou da resposta mais adequada a essa pergunta?

Economia, política, educação e notas da rotina…