PIB cresce 4,8% em 12 meses

2007
09.13

Ontem o IBGE divulgou o resultado das contas nacionais referente ao segundo trimestre de 2007. Como já era esperado, o PIB continua em franco crescimento. Destaque para o consumo das famílias (5,7%), pelo lado da demanda e para a indústria (6,8%), pelo lado da oferta.

pib

Como demonstra a tabela acima, o PIB no segundo trimestre parece corresponder às expectativas otimistas de crescimento no nível de 5% (o governo Lula fica muito feliz com isso). O consumo vem sendo financiado por três fatores básicos: crédito (+++), aumento de emprego e massa salarial. Desses, o crédito é, de fato, o grande responsável pelo crescimento do item Consumo das Famílias por 15 trimestres consecutivos!

No lado da oferta uma boa notícia foi o aumento da taxa de investimento em relação ao PIB, obtendo seu maior nível em muito tempo. Isso significa que no médio prazo, a oferta aumentará a sua capacidade produtiva. O problema nesse raciocínio é que para crescer acima de 5% teríamos que ter uma taxa de investimento acima de 25% do PIB. Será que chegaremos lá?

Eu pretendo escrever um artigo mais elaborado nos próximos dias sobre conjuntura econômica, portanto não entrarei em maiores detalhes neste post. Mas, para adiantar, o cenário atual está muito bem configurado como todos os cenários ex-ante desde 1999: o chamado stop and going. Ou seja, a economia brasileira começa a se aquecer, puxada pela demanda, a oferta acompanha até certo ponto, o Banco Central vê sinais de repique inflacionário e aumenta a taxa de juros. O crescimento se estanca. Isto porque a oferta, e o BC (que não é bobo) sabe disso, não tem capacidade de acompanhar os choques de demanda dada as limitações de capacidade produtiva.

Esse cenário é complementado pela influência do setor externo. As crises de confiança abalavam a economia brasileira, acionando a política monetária – o BC aumentava a taxa de juros para conter a fuga de capitais e com isso diminuir a volatilidade da taxa de câmbio.

No ambiente atual o nosso crescimento não encontrou resistência externa e a política monetária não foi acionada. Isto porque esse crescimento atual ainda não pressionou a capacidade instalada, por conseguinte ainda não gerou repique inflacionário. Isso até agora.

O próprio BC, na ata do COPOM divulgada hoje, relata que a hipótese de manter a SELIC em 11,5% foi cogitada na semana passada. Tudo indica que na próxima reunião essa decisão é praticamente dada como certa. É justamente isso que configura o stop and going dos últimos anos: seja pelas crises de confiança externa, seja pelo capacidade instalada, o BC sempre freia o crescimento da economia.

A tese a ser defendida para acabar com esse cenário é relativamente simples: crédito, educação e empreendedorismo. O governo precisa desburocratizar os procedimentos de abertura de empresas, precisa reduzir o custo de oportunidade existente na intermediação financeira (reduzindo a lucratividade dos títulos públicos) e precisa investir em educação para aumentar a produtividade do capital humano brasileiro.

A união desses três fatores gerará investimento produtivo, aumentando a oferta de bens e serviços na economia e sanando o problema de stop and going atualmente existente. Sem isso, a cada espirro da economia mundial ou crescimento do consumo doméstico, ficaremos confinados nesse ciclo de Peter Pan.

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