Sobre a defasagem na implementação da política monetária

2008
06.03

As medidas de política monetária não são imediatas na economia, como acreditam alguns. Veja aqui.

Quando a autoridade monetária toma uma medida de política monetária, como por exemplo o aumento da taxa básica de juros, seu efeito não é instantâneo. Existe uma defasagem (um atraso) no efeito dessa medida, que varia de economia para economia. A teoria econômica associa essa defasagem com a rigidez de preços e salários, de modo que quanto maior for essa rigidez, maior será o tempo para que a medida de política monetária faça efeito na economia.

Para efeito de comparação, estima-se que no Brasil o efeito de uma medida de política demore de 6 a 9 meses, enquanto que nos Estados Unidos esse atraso seria de até 18 meses. Isto significa que no Brasil os preços são mais flexíveis do que nos EUA.

Uma contribuição teórica bastante importante sobre esse assunto foi dada pelo economista Milton Friedman no paper “The lag in effect of monetary policy”, publicado no Journal of Political Economy (Outubro de 1961). Para ele existem duas importantes defasagens: a interna e a externa. A primeira refere-se ao atraso verificado entre a percepção da necessidade de intervenção e a tomada da medida de política econômica; já a segunda refere-se ao atraso propriamente dito no efeito da intervenção. Ambas tornam o ativismo monetário pouco previsível de modo que tais medidas podem atuar de forma pró-cíclica, aprofundando o ciclo econômico.

Essa é uma das razões pelas quais Friedman é contrário às políticas discricionárias.

Além da defasagem, existe ainda a discussão sobre como atua na economia uma medida de política econômica como o aumento de juros, mas isso já é assunto para outro dia…

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