Uma clara falha de regulamentação

A ligação entre as cidades de Niterói e Rio de Janeiro é feita por duas vias: a marítima, executada por barcas e catamarãs, e a terrestre, feita pela Ponte Rio-Niterói. A parte marítima da travessia era, até pouco tempo atrás, administrada por duas empresas: uma empresa privada de transporte seletivo (os catamarãs) e uma empresa estatal de transporte de massa (as barcas). Em fevereiro de 1998 a parte estatal da hidrovia foi entregue à iniciativa privada, via concessão pública, modificando de forma significativa o transporte entre as duas cidades.

7 Responses to “Uma clara falha de regulamentação”

  1. transeunte - O problema das barcas é de regulação… Says:

    [...] Para quem, como eu, pega as barcas quase todos os dias já deve ter notado que o serviço tem estado bastante solicitado nos horários de maior movimento (8h às 9h na parte da manhã e 18h às 19h na parte da noite). Você, caro transeunte, acha que o problema é das barcas? Se você respondeu que sim, recomendo que leia esse texto…. [...]

  2. Cadu Says:

    Você no texto diz que agora o serviço é ruim pq está sendo prestado por apenas uma empresa e que as pessoas deveriam reclamar no órgão regulador e não contra a empresa, mas ao mesmo tempo você diz que os reguladores deveriam ter feito antes disso “fundir” as duas empresas em uma para aproveitar as economias de escala.

    Não seria melhor uma empresa só estatal, já que vai ser um monopólio e supostamente as pessoas iriam reclamar diretamente com o governo (você mesmo diz para reclamar no órgão regulador -> governo).

    Oras, havia 2 empresas pelo principal motivo que sua miopia não enxergou: prestar um serviço de massa para os mais pobres e um serviço “de elite” pra quem quisesse pagar mais, isto é, diferenciar o serviço de transporte para que ele cobrisse todo o excedente do consumidor da melhor maneira possível.

    Esqueceu o que ocorre no monopólio: apenas o topo do triângulo do excedente é atendido, isto é, os preços do monopólio PRIVADO atenderão automaticamente a somente quem puder pagar mais pois é assim que se lucra mais, se fosse estatal, os preços estariam mais proximos ao custo marginal e, portanto, atenderia mais pessoas com um lucro menor.

    Vitão, vitão…

    PS: tem uns erros de digitação -> prestrado, parceira (parceria), um dupla (uma dupla), reagiaram (reagiram)

  3. admin Says:

    Bom, first of all, obrigado pelos comentários… Sei dos imensos custos de oportunidade do seu tempo…

    Second of all, falemos deles…

    Você no texto diz que agora o serviço é ruim pq está sendo prestado por apenas uma empresa e que as pessoas deveriam reclamar no órgão regulador e não contra a empresa, mas ao mesmo tempo você diz que os reguladores deveriam ter feito antes disso “fundir” as duas empresas em uma para aproveitar as economias de escala.

    Em primeiro lugar eu não disse que o serviço é ruim. Muito pelo contrário, se comparado quando era administrado pelo Estado, ele melhorou muuuuuuuuuito nos últimos 10 anos. O que eu disse foi que “Nos horários de maior movimento (8h às 9h na parte da manhã e 18h às 19h na parte da noite) há uma demanda muito alta pelo serviço hidroviário. Como agora tal serviço é prestado por apenas uma empresa os usuários passaram a fazer críticas constantes contra a mesma”.

    Em segundo lugar a minha sugestão de fusão das duas empresas é justamente para expandir o serviço nos horários de maior movimento (HMM). Lembre-se que antes existiam duas estruturas produtivas, agora só há uma. Ou seja, uma estrutura está absorvendo a demanda de duas, fora a demanda incremental da rejeição da Ponte Rio-Niterói.

    Em terceiro lugar, fora do HMM o serviço funciona de forma bastante eficiente. A empresa cumpre rigorosamente as previsões de embarque.

    Não seria melhor uma empresa só estatal, já que vai ser um monopólio e supostamente as pessoas iriam reclamar diretamente com o governo (você mesmo diz para reclamar no órgão regulador -> governo).

    Esse comentário é um eterno ponto de divergência entre nós. Você prefere que os monopólios naturais sejam administrados pelo Estado, eu já prefiro que sejam concedidos à iniciativa privada e regulados pelo Estado. Enfim, acho que nunca chegaremos a um consenso sobre isso. Mas para te alegrar um pouco, eu resolvi adicionar essa sugestão no texto.

    Oras, havia 2 empresas pelo principal motivo que sua miopia não enxergou: prestar um serviço de massa para os mais pobres e um serviço “de elite” pra quem quisesse pagar mais, isto é, diferenciar o serviço de transporte para que ele cobrisse todo o excedente do consumidor da melhor maneira possível.

    Essa foi forte. Dá a impressão de que você não leu o texto. E ainda me chamou de ignorante… Ao longo do texto eu citei essa diferenciação várias vezes:

    “(…) uma empresa privada de transporte seletivo (os catamarãs) e uma empresa estatal de transporte de massa (as barcas)”.

    “Em um primeiro momento após a privatização a hidrovia Rio-Niterói possuiu duas empresas privadas, que ofereciam serviços diferenciados”.

    “Uma oferecia, via barcas, uma travessia em torno de 30 minutos. Já a outra oferecia, via catamarãs, uma travessia entre 10 e 15 minutos. Essa diferença de tempo refletia-se, naturalmente, no preço: o transporte seletivo custava o dobro do transporte de massa”.

    A única coisa que eu não disse era que o transporte de massa era para pobre e o transporte seletivo era para elite, como você se referiu, porque isso parece estar implício nos argumentos.

    Esqueceu o que ocorre no monopólio: apenas o topo do triângulo do excedente é atendido, isto é, os preços do monopólio PRIVADO atenderão automaticamente a somente quem puder pagar mais pois é assim que se lucra mais, se fosse estatal, os preços estariam mais proximos ao custo marginal e, portanto, atenderia mais pessoas com um lucro menor.

    Você está certo e eu não esqueci. É claro que a inversão de capital feita pela nova empresa privada resultou em uma tarifa maior. Minha análise, entretanto, ignorou esse aspecto e se concentrou na melhoria do serviço prestado. Mas, se eu fosse discutir essa questão, voltaríamos a falar de regulação, como, acho, já discutimos algumas vezes sem sucesso.

    É um complemento da primeira questão: se os monopólios naturais devem ou não ser administrados pelo Estado. É claro que se administrado pela iniciativa privada, o preço tenderá a se afastar mais do custo marginal. Cabe ao orgão regulador determinar até que ponto deve ser essa diferença. Mas, enfim, como disse, esse será sempre um ponto de divergência entre nós.

    PS: tem uns erros de digitação -> prestrado, parceira (parceria), um dupla (uma dupla), reagiaram (reagiram)

    Só tenho a agradecer pelas observações e pedir desculpas pelos erros…

    Mas uma vez obrigado…

  4. Cristiano M. Costa Says:

    Ae Vítor,

    coloquei o link no meu blog.

    Abraço,
    Cristiano

  5. Cadu Says:

    Quando vc falou sobre a diferença entre a empresa privada e a empresa estatal ficou, para mim, implicito que a estatal prestava um serviço ruim e mais demorado a empresa privada um serviço otimo e mais rapido, nao que tivesse o objetivo de atender pobres e ricos.

    O que pergunto é: como vc faria para os reguladores atenderem ricos e pobres se é um monopolio privado com objetivo de maximo lucro, reduzir seu lucro para atender mais pessoas?

    Primeiro que os reguladores nao tem como saber exatamente quais os custos da empresa pois nao a controlam e segundo q vc mesmo nao acredita no governo porq ele é corrupto e blabla, ou seja, vai atender a todas as reinvindicaçoes da empresa privada via lobby.

  6. Catamarãs « De Gustibus Non Est Disputandum Says:

    [...] Catamarãs Novembro 1, 2008 Posted by claudio in Uncategorized. Tags: Blogs de economia, Vitor Wilher trackback Vitor Wilher se pergunta sobre uma possível falha de governo no Rio de Janeiro. [...]

  7. vitorwilher.com » Blog Archive » Problema das barcas: o governador leu este blog. Says:

    [...] Eu havia dito exatamente isto nesse texto aqui. [...]

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