Bom pessoal, vou tirar umas férias do blog! Volto em 5 de janeiro…
Feliz Natal e um 2009 repleto de novidades (boas) para todos!
Abraços,
Vítor Wilher, o VW
Bom pessoal, vou tirar umas férias do blog! Volto em 5 de janeiro…
Feliz Natal e um 2009 repleto de novidades (boas) para todos!
Abraços,
Vítor Wilher, o VW
George W. Bush, ao assinar o “Jobs and Growth Tax Relief Reconciliatiation Act of 2003″, explicou o plano da maneira que segue:
“When people have more money, they can spend it on goods and services. And in our society, when they demand an additional good or a service, somebody will produce the good or a service. And when somebody produces that good or a service, it means somebody is more likely to be able to find a job”.
O segredo da lógica acima é o “people have more money”. Para que as pessoas tenham mais dinheiro, em um cenário de desemprego, é preciso que alguém dê esse dinheiro. Esse alguém é, claro, o Estado.
Em um cenário de “insuficiência de demanda” parece que “imprimir” dinheiro (e dar para as pessoas) é a solução de todos os males…
Mera coincidência com o cenário atual? O Lula não diz a mesma coisa?
Quer saber mais? Leia este post aqui.
Observem:
O raciocínio implícito é o seguinte: com um salário mais alto, a carreira de professor atrairia as melhores mentes para o posto. E assim, como que por gravidade, o ensino melhoraria.
Simples, não?
Suponha a seguinte situação: você tem 17 anos e gosta muito de matemática. Gosta tanto que vai prestar vestibular para essa carreira. Na inscrição você tem duas subopções: licenciatura e bacharelado. O primeiro é, como todos sabem, para seguir a carreira de professor. Já o segundo é para ser diplomado como matemático e trabalhar com isso em uma grande empresa, por exemplo.
Ao aumentar os salários dos professores, o governo quer influenciar esse jovem que está entrando a trocar o bacharelado (hipoteticamente com maiores opções) pela licenciatura. O governo acredita que as “melhores mentes” não se tornam professores porque o salário é baixo. Assim, ao “valorizar o professor” ele atrairia essas “melhores mentes”. Será que isso é verdade?
Não, não é. A carreira de professor é bastante distinta das demais. Isto porque para ser professor é preciso ter duas capacidades: conhecimento e didática. Geralmente um profissional para ser competente precisa ter apenas conhecimento sobre sua área de atuação. Já o professor que não tem didática dificilmente conseguirá ser um bom profissional. Digo isto porque aumentar salários não é a melhor forma de prover alguém dessas duas capacidades.
Nossas faculdades de licenciatura tem dados seguidos indicativos de que não estão preparadas para dotar o professor dessas duas capacidades básicas (conhecimento e didática) – basta acessar os últimos exames nacionais. Além disso, há estudos que indicam a dificuldade inerente à tarefa de ensinar didática para alguém.
O que isso tudo quer dizer? Algo básico: aumentos salariais não trarão as “melhores mentes” para o magistério. O que trará será um melhor preparo para os professores. Melhores faculdades, bolsas para estudantes de licenciaturas poderem se dedicar de forma plena ao curso – evitando trabalhar ao longo do mesmo.
Como já havia discutido em post anterior, aumentos de salário não necessariamente melhoram a qualidade do ensino. Parece uma afronta, mas qualquer medida de política pública nessa matéria deve visar a melhoria do ensino prestado às crianças e adolescentes. “Valorizar o magistério” é tão vago e tão arbitrário como “colocar computadores nas escolas”. De nada adianta ter professores melhor remunerados, se eles não forem cobrados para dar uma aula melhor.
Para aqueles que querem entender como deve ser feito o aumento salarial, de forma a privilegir os melhores professores, expulsando os ruins do mercado, e ai sim, valorizando a carreira, recomendo fortemente que leiam o post anterior.
Meu artigo sobre política monetária e as divergências entre economistas foi publicado no site do Instituto Millenium. Para lê-lo clique aqui.
Ah, mas o povo tá cagando, não? Tempo de festas, confraternizações, jingles…
Feliz 2009 para todos!!!!
Mais uma do nosso presidente…
Vou arriscar um silogismo:
O populismo sempre dá certo em momentos de grande adversidade econômica (ou não?). Lula é mestre em fazer isso. Logo, a popularidade dele deve estar (e está) nas alturas.
Assim como comentei em post anterior, a intervenção do governo deve ter seus limites. A intervenção frouxa, sem parâmetros, acaba tendo um resultado mais negativo do que propriamente positivo.
Anyway… Discursos desse tipo acabam seduzindo as pessoas em momentos de crise econômica… E não se trata de ignorância…
Eis um dos motivos pelos quais o Banco Central resolveu manter a taxa SELIC em 13,75%:
“A crise global vai atingir em cheio o bolso do consumidor em 2009 por causa das tarifas públicas mais caras. O principal canal de transmissão será o dólar, cuja cotação encontra-se hoje na casa dos R$ 2,40, quase um real acima de quatro meses atrás. Dois itens importantes que serão afetados são a energia elétrica e os medicamentos, que subirão até 6,5%. Devido a pressões como essas, a projeção é que o ritmo de reajuste dos chamados preços administrados suba 50% no ano que vem, passando de 3,61%, de 2008, para 5,4%”.
Em um cenário de crise no cenário externo, três questões atuam diretamente sobre a Inflação, a saber:
i) Desvalorização Cambial;
ii) Queda de preço nos commodities;
iii) Estagnação da demanda doméstica;
A primeira atua de forma a pressionar positivamente os índices de preço – como destacado na matéria acima. Já a segunda e a terceira atuam no sentido inverso. A política monetária deve analisar, então, qual das três será preponderante de modo a gerar (ou não) pressões inflacionárias sobre a economia.
O Banco Central entendeu que o primeiro fator (que reage positivamente ao aumento de incerteza no cenário mundial) se sobrepõe ao segundo e ao terceiro, na contaminação da inflação. Foi exatamente por isso que manteve os juros no patamar de 13,75%.
A autoridade monetária agiu corretamente?
Em tempos de crise na economia mundial não são poucos os economistas que citam Lord Keynes para respaldar políticas anticíclicas…
Mas não são todos. Álvaro Cerqueira, em artigo titulado de “Keynes, o mago da inflação”, cita Hayek e faz críticas contundentes a J. M. Keynes. Veja a passagem abaixo, por exemplo:
“Imagine você empregos para todo mundo, o tempo todo. Assim, os Bancos Centrais simplesmente teriam que aplicar a equação de Keynes (Y=C+I+G) e assegurar que a macrodemanda sustenta adequadamente a macro oferta através da mágica “G”. Na fórmula, “G” representa os gastos do governo, para o paraíso econômico e alegria dos políticos”.
Exagero?!?!?
Ao contrário do que muitos pensam, as inovações trazidas pela Teoria Geral não se resumem à intervenção do Estado na economia – ainda que esta possa ser apontada como sua prescrição normativa. Esta obra é singular na história do pensamento econômico por outro motivo: entende a economia como um sistema em permanente desequilíbrio. Algo que antes dela era impensável em se conceber – vide a construção walrasiana de equilíbrio.
Conceber políticas econômicas em um sistema dinâmico é completamente diferente de concebê-las em um sistema estático. É claro que há de se reservar papéis importantes tanto para a política monetária quanto para a política fiscal. O problema que se viu após a criação de Keynes foi justamente utilizá-las como panacéia. É justamente isto que deve ser criticado. Ao contrário de pensar no uso (e abuso) de políticas de curto prazo para “sensibilizar” a demanda, é preciso mobilizar forças que melhorem a alocação de recursos no país. É dai que provém o crescimento econômico sustentado…
Isto porque, se focalizarmos em demasia no curto prazo, de fato, “no longo prazo estaremos todos mortos”…
Eduardo Sant’Anna, do Blog Vida no Reino Unido, publica post interessante titulado “Devo não nego, pago na próxima geração”. Veja um pedaço:
“O governo britânico anunciou recentemente um forte aumento de gastos públicos pra conter a crise, incluindo corte de impostos. A oposição reclamou desesperadamente. A mídia e as pessoas se mostraram extremamente preocupadas com o futuro. Afinal, é muito simples: queda de impostos significa que o governo arrecada menos agora. Sendo assim, no futuro o governo precisará compensar isso, com aumento forte de impostos. Ou então, com redução de gastos em outras áreas do governo, o que não parece ser o caso no momento”.
Esse “devo ou não nego, pago na próxima geração” é modelado na teoria econômica como equivalência ricardiana (que está em sintonia com a denominada escola novo-clássica), i.e., uma política fiscal expansionista – redução de impostos – não teria nenhum efeito porque as pessoas saberiam que o governo teria de compensar isso no futuro com o aumento de impostos, dai que, ao invés de gastar o dinheiro obtido com o alívio fiscal, elas poupariam esse dinheiro para pagar os impostos futuros.
Essa teoria adota a hipótese de expectativas racionais, no modelo formalizado por Robert Barro, que é bastante forte e se resume, basicamente, ao seguinte: as pessoas otimizam toda a informação possível. Em outras palavras, elas utilizam toda a informação disponível, inclusive as referentes a política econômica, para tomar decisões econômicas. Assim sendo, a redução de impostos não traz nenhum efeito sobre a atividade econômica.
Com base nessa teoria, as contas do governo devem estar em constante equilíbrio (o recentemente defendido déficit nominal zero) para não afetar a taxa de crescimento de longo prazo da economia. Em outros termos, a teoria prega o equilíbrio ex-ante (a priori) do orçamento público.
A questão do alívio fiscal do Lula – e da maioria dos países do mundo atualmente – pode ser encarado segundo esses preceitos? Bom, ai entram duas questões: 1) em momentos de crise, reza o receituário keynesiano que os governos devem praticar políticas anticíclicas; 2) a carga tributária brasileira já é identificada como alta há tempos. Ambas se aglutinam e justificam o bom recebimento do pacote pelo mercado. Ora, se pagamos muito tributos e se a crise exige posições do governo, um alívio fiscal é bem vindo.
Mas, seguindo o modelo de equivalência ricardiana acima, temos de pensar em duas coisas:
1) o alívio fiscal irá aumentar o consumo presente ou será redirecionado para outras coisas (como o pagamento de dívidas, por exemplo)?
2) Como o governo financiará essa renúncia fiscal no futuro?
Novamente, segundo o receituário keynesiano há uma clara sintonia entre uma e outra. Ele diz que a renúncia fiscal se financia automaticamente pelo efeito multiplicador sobre a economia. Ou seja, como o impacto da redução de impostos é o incremento da atividade econômica, esta acaba aumentando a arrecação, compensando assim a renúncia fiscal inicial. Está implícito nesse raciocínio, portanto, que as pessoas gastarão a redução de impostos com consumo. Desse modo a teoria keynesiana, ao contrário do modelo de equivalência ricardiana (e dos demais preceitos da escola novo-clássica), prega um “equilíbrio” ex-post (a posteriori) das contas públicas. Isto é, devido à possibilidade de recessão econômica, os governos devem agir de modo a ou aumentar gastos públicos (com obras de infra-estrutura, por exemplo) ou reduzir impostos. Essas iniciativas provocariam, via um “efeito multiplicador”, um aumento da atividade econômica maior do que a renúncia fiscal (ou o aumento de gastos), de modo a ocorrer, em um segundo momento, um aumento também da arrecadação, equilibrando assim as contas públicas.
Em outras palavras, o Estado possui um papel bastante importante, segundo a teoria keynesiana, contra as recessões econômicas…
Mas, como percebe a equivalência ricardiana, e se as pessoas não gastarem com consumo o alívio fiscal, redirecionando-o para outras coisas?
Como se vê, a resposta a essa pergunta define, em grande medida, o sucesso ou o fracasso de qualquer plano de alívio fiscal – seja aqui ou no exterior. Se as pessoas reverterem essa “renda extra” para o consumo e dependendo da potência do multiplicador, é possível que haja incremento consistente na produção. Já se as pessoas não reverterem essa renda para consumo, aplicando-a em coisas não produtivas, há dois problemas: a economia continua em recessão e o governo aumenta o déficit público.
Assim sendo, é preciso considerar, de maneira conjunta, os seguintes fatores:
1) O tamanho da renúncia fiscal;
2) A potência do multiplicador;
3) A possibilidade das pessoas usarem essa “renda extra” com consumo ou aplicarem em outra coisa.
A conjunção desses três fatores define, por suposto, o quão importante será o impacto na economia de qualquer medida fiscal.
PS: Mesmo na teoria eminentemente clássica (onde o ativismo fiscal é bastante criticado), reduções de imposto de renda (como foi o caso) tem impacto sui generis no aumento do emprego e da produção. Isto é, tais medidas funcionam para incrementar a atividade econômica. Resta saber, então, se o tamanho das medidas é satisfatório.
Alexandre Schwartsman escrevendo sobre o câmbio:
“Eis a quermesse: reclama quando o câmbio aprecia e também quando o câmbio deprecia. Quer o câmbio estável, para que as empresas possam projetar suas vidas em longo prazo, mas não hesitaria em mudar regras para impedir a flutuação do câmbio, dificultando exatamente o planejamento das empresas. Querem ser nossos Cachinhos de Ouro, se esforçando para fazer aquilo que o mercado de câmbio faz de graça”.
O texto tem toda a razão. Quando o câmbio estava apreciado, lembro de ter assistido a alguns seminários no qual o palestrante mostrava algum gráfico da trajetória da TCR e sugeria que os valores eram idênticos ao período de 94 a 97 – no qual vigorava uma “âncora cambial” descarada. Já agora, em tempos de crise, não são poucos os que se desesperam por o câmbio estar atingindo valores próximos a R$ 2,50. Já dizia algum santo petista que “o problema do câmbio flutuante é que ele flutua”…
Cheguei inclusive, semanas atrás, a rascunhar algo a respeito. Mas acabei desistindo… Queria, inclusive, se não for dar muito trabalho, pedir há alguém que simpatize com as idéias da “taxa de câmbio estável”, que me diga, por favor, qual seria o valor desta?