Archive for dezembro, 2008

Mais uma prova…


2008
12.12

De que a Petrobrás não precisa de financiamentos do BNDES para custear seus investimentos…

A Petrobras informou nesta sexta-feira que assinou contrato de financiamento no valor de 75 bilhões de ienes (cerca de US$ 750 milhões) com um pool de bancos japoneses. A empresa informou que o financiamento, com prazo de dez anos, foi fechado na última quarta-feira.

Nem a Petrobrás, nem a Vale, nem a Oi, nem a maior parte das grandes empresas brasileiras. Já está mais do que na hora de o BNDES se concentrar, de vez, nas pequenas e médias empresas…

Mas, vai falar isso numa hora dessas… É capaz de alguém cassar meus direitos políticos…

:)

Sobre o jornalismo econômico…


2008
12.12

Não sou apenas eu quem pega no pé dos “jornalistas econômicos”:

Qual é o papel do jornalismo econômico? Deveria ser traduzir o conhecimento dos economistas para o leitor inteligente não-especializado. Traduzir. Esta é a palavra-chave. A tradução envolve conhecer as duas línguas.

Lembrei disso quando me toquei que o Tim Harford age como um jornalista econômico ideal. Mesmo (ou talvez “Por ser”) doutor em Economia por Oxford, ele não sai por aí criando teses: ele recorre à teoria e aos especialistas das áreas. No Brasil, temos os “jornalistas econômicos”, deliberadamente ignorantes de Economia, que criam suas próprias explicações equivocadas e polemizam com os profissionais de verdade. Imagine um jornalista de ciência que fizesse o mesmo: “Os professores Watson e Crick dizem que a estrutura do DNA tem uma forma de dupla hélice. Mas eu olhei bem atentamente o meu dedão do pé e percebi que na verdade o DNA tem o formato de uma orelha de burro. Vou até postar o meu modelo de DNA no meu blog: basta umas caixinhas, umas setas, pronto… Ah, que preguiça! Agora vou ouvir uns chorinhos.”

Como exemplo, Leornardo Mosteiro – o autor do blog acima – cita Luis Nassif, que entre outras coisas é colunista do jornal carioca O DIA. Na página deste indivíduo ele coloca que é:

“Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria”.

Bom, pense comigo, querido leitor. Se o Nassif ganhou tal prêmio, em um ambiente bastante competitivo, significa dizer que ele é benchmark da profissão. Não?

Há muito tempo atrás eu fui apresentado a ele, via sua coluna em O DIA. Fiquei perplexo com a quantidade de bobagens que ele consegue colocar em algumas linhas. Infelizmente, a coluna dele não é disponibilizada no jornal digital, pois se assim fosse, poderia eu linkar aqui para vocês. Mas, para os que estiverem curiosos, basta acessar o site dele – linkado acima – e colher uma meia dúzia de bobagens por página… Não é muito difícil não…

Coitado do Nassif. O peguei para o sacrifício, mas como diz o Monasterio, a culpa não é apenas dele. A grande maioria dos jornalistas econômicos não consegue traduzir o mundo econômico especializado para o mundo dos leigos, simplesmente porque pouco conhecem o primeiro.

O também carioca O GLOBO tem duas peças raras: Míriam Leitão e Merval Pereira. Este último é mais jornalista político do que econômico, mas quando se arrisca no mundo da economia dificilmente escapa de falar alguma besteira. A primeira, bem, a primeira já é figurinha carimbada…

E vocês, já encontraram algum jornalista econômico sério?

Juros são mantidos em 13,75%


2008
12.11

O comunicado oficial do BCB foi o seguinte:

“Tendo a maioria dos membros do Comitê discutido a possibilidade de reduzir a taxa básica de juros já nesta reunião, em ambiente macroeconômico que continua cercado por grande incerteza, o Copom decidiu por unanimidade, ainda manter a taxa Selic em 13,75% a a, sem viés, neste momento. O Comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação com vistas a definir tempestivamente os próximos passos de sua estratégia de política monetária”.

O “sem viés” indica que o presidente do BACEN não pode modificar os juros antes da próxima reunião do COPOM.

Sobre a “possibilidade de redução da taxa de juros” está bastante claro que o comitê pesou o fato da desaceleração da inflação no período recente. Isso, entretanto, não é garantia de que as pressões inflacionárias estejam resguardadas, já que há uma desvalorização cambial em andamento e ainda não se sabe até que ponto ela pode ir. Assim sendo, para que haja uma redução de juros na próxima reunião é inexorável que as oscilações no câmbio sejam balizadas. Sem isso, dificilmente o BACEN irá mudar a trajetória dos juros.

Já havia comentado em artigo como a taxa SELIC afeta a economia brasileira. Nele havia deixado claro que os principais meios de transmissão da política monetária são expectativas e câmbio. Ou seja, quando o COPOM se reúne para decidir o nível de juros está bastante claro para todos os economistas que ele está olhando para esses dois mecanismos.

No atual cenário, repleto de incertezas em torno justamente das expectativas e do câmbio, a manutenção dos juros já era esperada pela maioria do mercado. Não houve, assim, nenhum frustração. É claro que sempre haverão economistas/empresários pedindo redução de juros em qualquer momento. Dessa feita não foi diferente.

Segundo a teoria econômica e em conformidade com o modelo de IT, onde o BACEN não é independente, é preciso adotar uma postura conservadora para recuperar credibilidade frente aos agentes. Isto posto, é possível argumentar – mesmo entre os defensores da atual política monetária – que o BACEN está sendo ultra-conservador nos últimos tempos. Minha opinião é que não acho que o BACEN esteja errando agora, em manter a SELIC – o que é prudente frente às incertezas. Acho que ele errou na mão em não reduzir de forma mais rápida no período de bonança – algo em que também não há muito consenso.

Outra questão é se o Brasil já pode (ou não) fazer política anticíclica – a capacidade de reduzir juros em meio a um ambiente recessivo. Pela teoria a capacidade de o país fazer esse tipo de política está intimamente ligada aos tais “fundamentos macroeconômicos”, principalmente no que diz respeito a relação Dívida Externa/Exportações. Sou da opinião de que o Brasil ainda não superou sua vulnerabilidade externa estrutural – sobre isto leia o seguinte artigo. Nos últimos anos o país conseguiu amenizar a vulnerabilidade conjuntural, mantendo uma dívida externa líquida em patamar bastante favorável. Mas foi só o país crescer acima da média da década de 90 que o saldo em conta-corrente ficou negativo. Ou seja, ainda não conseguimos aumentar a exportabilidade do PIB e isso é que contribui para não termos reduzido, de forma estrutural, nossa vulnerabilidade. Fica, assim, a pergunta: até que ponto o Brasil pode praticar políticas anticíclicas com o atual nível de vulnerabilidade externa?

No mais, como diz o ditado “agora não adianta chorar sobre o leite derramado”. O importante é mesmo monitorar o ambiente macroeconômico – principalmente o internacional – e esperar que ele melhore. Caso isto ocorra, ai sim, o BACEN poderá reduzir a taxa SELIC…

O que a Georgia fez para subir no ranking do Doing Business…


2008
12.10

If you want to know how you start from nothing and build up an economy – with the various reforms needed – here is an excellent prop. Kakha Bendukidze, the engineer of Georgia’s reforms since 2004, talks about how these came about and what they have achieved so far in a Cato Institute forum. The video is about 45 minutes, worth the time.

Under Bendukidze’s leadership, Georgia has moved from 137th on the Ease of Doing Business in 2003 to 15th in 2008. Many other problems remain, political as well as economic. But there is no question that the economic reforms have spurred a previous moribund economy. They have also had a regional effect: Azerbaijan has studied Georgia’s reforms and has itself become a top reformer.

Manda o Lula ler isso aqui…


2008
12.10

Quando do início da crise do subprime nos EUA eu já sabia que muita gente boa iria culpar o mercado – sempre ele – pelo problema. Mas ai o pessoal começou a atentar para o fato de que o governo norte-americano também tinha sua parcela de culpa ao gerar mecanismos para inflar o mercado de subprime. O problema nesse processo é que o presidente Lula – e, claro, a equipe dele – não se convenceu disso e continua achando que a culpa é dos mercados e do neoliberalismo.

Esse artigo aqui explica o que eu estou falando.

O resultado? Eles acham que injetar dinheiro na economia resolve tudo. Que continuar comprando resolve tudo. Mas ai vem a pergunta: e se as empresas pararem de investir porque as incertezas se tornaram muito fortes, como pagar esse consumo extra? Bom, quando a taxa de inadimplência começar a subir, acho que o Lula vai parar de mandar as pessoas consumirem.

Isso, claro, partindo do pressuposto de que as pessoas ouvem o que o Lula diz – o que não é tão factível assim. No plano individual, diferente do que pensa o presidente e a sua equipe, as pessoas estão preocupadas com a perda de seus empregos e, em consequência, se poderão honrar os compromissos assumidos. Tanto elas estão receosas em consumir quanto as empresas estão receosas em investir. O agregado tende a refletir esse dilema individual…

É assim que funciona quando a economia está sob fortes nuvens de incerteza. Não acho, portanto, que seja prudente tentar uma “marcha forçada” nessas circunstâncias.

IBGE divulga resultado do Terceiro Trimestre


2008
12.10

O PIB a preços de mercado apresentou elevação de 6,8% no terceiro trimestre de 2008, em relação a igual trimestre de 2007. O Valor Adicionado a preços básicos apresentou um aumento de 6,3% e os Impostos sobre Produtos uma elevação de 10,1%. Na taxa acumulada em doze meses terminados em setembro, o crescimento foi de 6,3% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

O PIB a preços de mercado apresentou crescimento de 1,8% no terceiro trimestre de 2008, em relação ao segundo trimestre, levando-se em consideração a série com ajuste sazonal. O destaque foi a Indústria, com crescimento de 2,6%, seguida pela Agropecuária, com elevação de 1,5%, e Serviços com aumento de 1,4%. Cabe salientar que as séries são sazonalmente ajustadas de maneira direta, ou seja, as séries são ajustadas individualmente.

O Produto Interno Bruto medido a preços de mercado, para o terceiro trimestre de 2008, alcançou R$ 747,3 bilhões, sendo R$ 631,5 bilhões referentes ao Valor Adicionado a preços básicos e R$ 115,8 bilhões aos Impostos sobre Produtos.

Em breve, divulgarei artigo sobre a conjuntura econômica recente…

PS: Crisis is coming…

Os governos devem intervir na economia?


2008
12.05


“Practically every day the government launches a massively expensive new initiative to solve the problems that the last day’s initiative did not. It is hard to discern any principles behind these actions. The lack of a coherent strategy has increased uncertainty and undermined the public’s perception of the government’s competence and trustworthiness.

The Obama administration, with its highly able team of economists, has a golden opportunity to put the country on a better path. We believe that the way forward is for the government to adopt two key principles. The first is that it should intervene only when there is a clearly identified market failure. The second is that government intervention should be carried out at minimum cost to taxpayers.”

Ao contrário do que pensam alguns, os liberais também acreditam que a intervenção do Estado na economia é válida. Isso, inclusive, é um princípio segundo o qual “os governos às vezes podem melhorar os resultados dos mercados”. A questão que advém desse comentário é em que momentos os governos devem promover tal interferência. Segundo a teoria econômica, tais momentos são chamados de “falhas de mercado” (market failures). Eis alguns exemplos:

a) Bens públicos (bens em que o consumo de uma pessoa não invalida o consumo de outro e é praticamente impossível excluir alguém de seu consumo. Ex: iluminação pública);

b) Monopólios Naturais (onde é mais eficiente a atuação de uma empresa);

c) Assimetrias de Informação (na troca entre dois agentes um detém mais informação do que outro, exigindo assim a regulação da informação pelo poder público. Ex: a validade de determinados produtos perecíveis);

d) Incerteza na oferta de bens (o ambiente econômico não permite investimentos de mais longo prazo de maturação);

e) Mercados incompletos (saúde e educação, por exemplo);

d) Desemprego e inflação;

Em cada um desses casos a intervenção do Estado se justifica. Mas não qualquer intervenção. Ela deve ser feita da forma mais eficiente possível, de modo a não onerar em demasia o contribuinte.

Produção industrial cai…


2008
12.03

Reflexos da crise: produção industrial cai 1,7% em outubro frente a setembro de 2008, diz IBGE.

Aumentar os salários dos professores melhora a educação?


2008
12.03

Gustavo Ioschpe diz em sua coluna que não. Minha opinião sobre esse assunto é depende da forma como o aumento salarial é dado. Como sugere Gustavo, existem vários estudos empíricos que não identificam uma correlação entre aumento salarial e melhoria educacional. Dito isto, o que fazer? Como escrevi aqui há tempos, os salários dos professores deveriam estar atrelados a melhoria de produtividade – uma regra econômica bastante simples. O esquema funcionaria assim:

1) Vincula-se uma quantidade X de alunos a um professor Y;

2) Vincula-se uma parte do salário do professor Y ao desempenho dos X alunos em um determinado exame;

3) Os exames são feitos por uma instituição externa (que pode ser o MEC);

4) Caso os alunos alcancem o corte médio proposto (uma meta), o salário variável é pago. Caso não alcance não é pago e o professor é chamado para reciclagem na primeira vez. Caso haja persistência de maus resultados pelos X alunos vinculados ao professor Y (três anos seguidos, por exemplo), este profissional é demitido.

A idéia implícita nesse sistema é gerar incentivos para que os professores melhorem suas aulas e consequentemente o desempenho dos alunos melhore. É claro que para tal sistema possa ser plenamente implantado é preciso que os salários dos professores aumentem, a carga-horária de trabalho diminua e exista uma infra-estrutura adequada.

Assim, é preciso pensar de forma planejada e não apenas aumentar os salários dos professores por si só. Isso, como lembra Ioschpe, não traz resultados…

Presidente da CAPES dá entrevista e fala besteiras…


2008
12.02

Comentário do presidente da CAPES sobre o envio de alunos de economia para o exterior:

“Vamos continuar mandando alunos para formar doutores num modelo que faliu o mundo? Este modelo mostrou-se totalmente anticientífico, para dizer o mínimo”.

É um comentário com uma feição claramente ideológica, típica desse governo.

Felipe Schwartzman escreveu um pequeno comentário sobre essa declaração, titulado “A vida dura dos economistas”. Vale a pena conferir!