Sobre o novo consenso…

2009
01.20

A maioria dos estudantes de escolas heterodoxas de economia desconhece o título desse post. Eu mesmo, oriundo de uma delas, demorei um longo período para conhecê-lo. E só o fiz graças a uma mátéria eletiva denominada “Teoria da Política Monetária” (ou Análise Macroeconômica III). Por intermédio desse curso – bastante esclarecedor, para dizer o minímo – tomei conhecimento sobre modelos macroeconômicos até então completamente novos – como o “New Open Economy Macroeconomics (NOEM)”.

De todos esses modelos, o mais importante é aquele que relaciona a (nova) síntese da moderna macroeconomia, descrito por John Taylor em basicamente dois artigos: “A core of practical macroeconomics”, publicado no AER de 1997, e “Teaching modern macroeconomics at the principles level”, também publicado no AER de 2000 (disponível na página pessoal dele, conforme link). Coloco aqui os pontos mais relevantes:

1) O produto potencial é dado pelo modelo neoclássico de crescimento com tecnologia endôgena;

2) A política monetária é neutra em relação às variáveis reais no longo prazo, afetando apenas os preços;

3) No curto prazo existe um trade-off entre Inflação e Desemprego devido à rigidez de preços e salários;

4) Medidas de política econômica afetam as expectativas dos agentes, logo estas importam no momento de fazer política monetária;

5) É preciso que existam regras de modo a ajustar a taxa de juros de curto prazo, objetivando controlar a Inflação.

Outro importante economista, Alan Blinder, possui um livro que considero simplesmente definitivo sobre o atual (novo) consenso: “Central Banking in Theory and Practice”. Em linguagem bastante coloquial e leve ele une a experiência como acadêmico e central-banker. Excelente! Infelizmente, a versão em português desse livro – editado pela Editora 34 – está esgotada. Quem tiver acesso ao AER, pode conferir o artigo “Is there a core of practical macro that we should all believe?”, de 1997, que também é muito bom.

Infelizmente, em nossa profissão, há essa tal divisão – quase esquizofrênica – entre heterodoxos e ortodoxos, que não deixa um ler os trabalhos do outro. Para os que, como eu, procuram fugir desses rótulos e estudar tudo o que cai no colo, procurar entender esse novo consenso é um bom começo. Então, mãos a obra!

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