SELIC não é panaceia

2009
01.21

Segundo o jornal Folha de SP, o presidente do BACEN disse a Lula que a SELIC cai hoje. Veja trecho abaixo:
“O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reuniu-se na segunda-feira com o presidente Lula para lhe dizer que os juros cairiam hoje, mas ressaltou que o principal problema seria o “spread” cobrado pelos bancos privados, informa Kennedy Alencar em reportagem publicada na Folha desta quarta-feira”.

E diz mais isso:
“Sob pressão, Meirelles disse a Lula que não adiantaria apenas baixar a Selic. Afirmou que seria necessária uma ação do governo sobre o “spread”, a diferença entre o custo de captação de recursos para os bancos e o que essas instituições cobram do tomador final nas suas diversas operações de empréstimo. Hoje, Lula se reúne com Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal para pedir tal redução”.

Atenção para a passagem em negrito: não adiantaria apenas baixar a selic. Que bom que o presidente do Banco Central sabe disso! Como postei anteriormente, a política monetária não possui influência sobre a taxa de crescimento de longo prazo da economia (o que os economistas chamam de produto potencial); esta é dada pelo capital físico, pela qualidade e quantidade de mão-de-obra e pela produtividade, ou seja, fatores reais e paupáveis. Assim sendo, se o governo quisesse promover crescimento da economia de forma sustentável, tinha que construir um ambiente econômico propício, com segurança jurídica, educação básica de qualidade, redução da burocracia para abertura de empresas, redução do custo de empreender no país etc…

Às vezes me “enche o saco” (desculpem!), caros leitores, ter de ver passeata pela redução da taxa selic. Pensei que, com o advento do PAC, as pessoas iriam começar a discutir como promover o adequado desenvolvimento daqueles três fatores reais que proporcionam o crescimento, deixando a política monetária suavizar os ciclos (e, portanto, estabilizar a taxa de inflação). Mas não: a ladainha pela redução da SELIC, como se isso fosse panaceia para o crescimento da economia, continua…

Quem perde com isso, claro, é o país…

Your Reply