É chato ficar se repetindo, mas como foi previsto zilhões de vezes na blogosfera, o PIB brasileiro teve queda de 3,6% no quarto trimestre, na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Na comparação com o quarto trimestre de 2007 houve aumento de 1,3%.
A queda do PIB na margem é o maior reflexo da crise externa na economia real brasileira, ainda que as sucessivas quedas na produção industrial tenham sido um proxy relativamente significativo desse efeito. É importante, contudo, que isso não seja visto como o “fim dos tempos” ou uma justificativa para que medidas erradas sejam incentivadas – como muito se fez no passado. Isto porque o Brasil é um dos poucos países que tem expectativa de crescimento para 2009 e dos que já divulgaram estatísticas de 2008, foi o segundo que mais cresceu (perde apenas para a China).
Também como era previsto, essa queda no produto aumentará a pressão sobre o Banco Central para uma redução maior na taxa SELIC. Como diz meu professor de Brasileira, mesmo se a taxa de juros fosse de 0%, ainda assim, os empresários pediriam redução de juros…
Por fim, como venho dizendo neste espaço, sem maiores aprofundamentos na crise externa, e dado o gap na política monetária (que alguns jornalistas chamam de “baboseira acadêmica”), a economia brasileira voltará a crescer no segundo semestre de 2009. O governo brasileiro, ao invés de tentar praticar “políticas de estímulo à demanda”, de cunho duvidoso, poderia aproveitar o momento e aprovar reformas institucionais importantes no primeiro semestre, fomentando a melhora do ambiente de negócios brasileiro.
PS: Apesar da retração no quarto trimestre, o consumo do governo continua crescendo. Bom, agora eles têm uma descupa: é política fiscal anticíclica…hehehehe
Vítor, também entendo como você bem postou. Minha atual preocupação é com o direcionamento do gasto do governo. Afinal, sabemos que gastamos mal. Além do que, vem eleições por aí e precisam eleger um clone. Reformas sérias e necessárias? Com esse Congresso que está aí? Vamos mudar de assunto. Que tal falarmos da visita de Charles ao Brasil rsrsrs
Um grande abraço,
João Melo, direto da selva