Selic cai para 11,25% a.a.

2009
03.13

Eis o comunicado do Banco Central, anunciando o corte:

“Avaliando o cenário macroeconômico, o Copom decidiu, neste momento, reduzir a taxa Selic para 11,25% a.a., sem viés, por unanimidade. O Comitê acompanhará a evolução da trajetória prospectiva para a inflação até a sua próxima reunião, levando em conta a magnitude e a rapidez do ajuste da taxa básica de juros já implementado e seus efeitos cumulativos, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”.

A última vez que o Banco Central cortou a taxa básica em 1,5 pontos percentuais foi em 19/11/2003, passando de 19% para 17,5%. Era a continuação de um relaxamento da política monetária ortogado pelo então recente governo petista.

O cenário atual é de crise externa, com grande incerteza no mundo. Nesse sentido, o que se pode entender por essa decisão do Banco Central? Está bastante claro que a expressiva queda do PIB no quarto trimestre de 2008, recém divulgada, foi decisiva para essa redução. Isto ocorre paralelo a aceleração do IPCA, medido pelo IBGE, tanto em janeiro quanto em fevereiro. No mês de fevereiro houve uma clara pressão do grupo educação sobre o índice, o que pode indicar um efeito sazonal – apesar de o acumulado em 12 meses também ter acelerado.

O fato de ser sazonal ou não é importante para definir os próximos passos do Banco Central. Conforme a passagem em negrito do comunicado, haverá uma avaliação prospectiva da inflação ao longo das próximas semanas. Caso, de fato, tenha sido uma mera expressão de sazonalidade, o relaxamento da política monetária tende a continuar de forma firme. Caso contrário, as reduções tenderão a ser menores. Houve, portanto, uma “aposta” do Banco Central nessa reunião de sazonalidade na aceleração. Tal “aposta” em conjunto com a queda do PIB justificaram a redução histórica da Selic.

É esperar agora que a Inflação não se acelere e que a crise não se agrave. Isso possibilitará o contínuo relaxamento da política monetária nas próximas reuniões.

PS 1: Contínuo relaxamento até certo ponto, claro. Como bem sabe o leitor deste blog, haverá um momento em que a autoridade monetária precisará fazer uma parada técnica para avaliar o impacto dos cortes na economia.

PS 2: Como sempre, os empresários e sindicados continuaram achando a redução pouco expressiva. Acho que vocês já entenderam o porquê.

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