{Custo Marginal Zero = Novo Modelo de Negócio}

2009
05.20

O parlamento francês aprovou uma lei inédita no mundo para punir quem copia ilegalmente músicas e filmes na Internet.

Como escritor eu deveria ser a favor da nova lei, não é mesmo? Ora, estão protegendo o Direito Autoral. Estão lutando contra os terríveis e mal intencionados piratas! Por que, então, tudo isso tem cheiro de idiotice para mim?

O próprio site G1 trata de disvendar o mistério:

“As maiores dúvidas dos franceses são com relação à aplicação dessa lei. E se o vizinho do lado, por exemplo, roubar o sinal sem fio da Internet da sua casa? E se um hacker acessar o seu computador? E o governo, ao controlar seus acessos, não está invadindo a privacidade da sua casa, se transformando em um “Big Brother”, que tudo vê, tudo vigia?”

A nova lei não resolve o problema original e acaba criando outro. É claro que as pessoas devem receber pelas suas obras. A questão que se coloca no mundo de hoje é totalmente outra: como receber em tempos de custo marginal nulo.

O software, a música, o e-book etc. podem ser reproduzidos sem custo algum. E não adianta tentar colocar código de proteção, porque mais cedo ou mais tarde, alguém desvenda o código e continua a divulgar pela internet. Os empresários desse setor devem sim encarar essa “mudança de paradigma” como um sinal de que é preciso reorientar seus negócios…

É, portanto, bobagem tentar criar uma lei como essa. O melhor a fazer é buscar novos modelos de negócio, como está fazendo a Saraiva. Todo mundo sabe que os novos formatos de aúdio e vídeo e a possibilidade de fazer download dos mesmos via internet modificaram sensivelmente o modo como se ganha dinheiro com esse tipo de produto. Ora, a questão que fica é: como gerar um negócio rentável dentro desse novo conceito?

Leia abaixo um trecho da matéria da Exame sobre o case Saraiva:

“A varejista Saraiva, dona do terceiro maior site de comércio eletrônico do país, está abrindo uma loja de downloads de filmes. Batizado de Saraiva Digital, o serviço é o primeiro no país a oferecer aluguel ou compra de filmes sob demanda. Com um computador e uma conexão de banda larga, será possível assistir a lançamentos, títulos de catálogo e programas de TV sem precisar ir até a locadora – ou à banca dos camelôs que vendem cópias piratas. O formato MP3 e os downloads legais (e também os ilegais) transformaram para sempre a indústria da música. Agora, o mesmo fenômeno começa a acontecer com os programas de televisão e o cinema. A indústria cinematográfica, um negócio que hoje movimenta 62 bilhões de dólares no mundo, está prestes a vivenciar a maior transformação desde o fim do cinema mudo“.

A inovação transforma os negócios. O impacto dessa nova realidade será cada vez maior conforme o número de acessos banda larga aumentem ao redor do mundo. Não há retorno. Os empresários do setor têm de se acostumar com isso…

One Response to “{Custo Marginal Zero = Novo Modelo de Negócio}”

  1. Lei burra!
    Concordo com você, Vitor, uma reorientação nos negócios é inexorável mediante às mudanças que o mundo está passando agora, principalmente no tocante aos novos tipos de mídia e às novidades das tecnologias de informação e comunicação.
    Como é o ano da França no Brasil, espero que ninguém tenha a magnífca iéia de copiar o projeto aqui!

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