Mais uma prova de que os jornalistas precisam estudar mais…
O suspeitíssimo jornalista Luis Nassif, que entre outras coisas é colunista do jornal O DIA, publicou um post em seu blog criticando o Dia da Liberdade de Impostos, promovido pelo Instituto Millenium (IMIL), pelo Ordem Livre e Mises Institute Brasil.
Desde que internalizei o fato de que os jornalistas brasileiros entendem muito pouco de economia, já não dou mais bola para o que eles dizem. Nesse caso específico, entretanto, Luis Nassif refere-se de forma equivocada a um evento do Millenium, do qual participo. Nesse contexto, não posso deixar de fazer um breve comentário sobre o seu post.
Reproduzo-o abaixo (de forma integral e em itálico) e coloco os meus questionamentos (em negrito):
“Ontem o Instituto Millenium, do Rio Grande do Sul, lançou a campanha “gasolina sem impostos”. Escolheram meia dúzia de postos no Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas. Eles vendem a gasolina sem cobrar a CIDE – que será paga pelo Instituto. A ideia é mostrar como o governo tunga os contribuintes com impostos”.
O IMIL não é do Rio Grande do Sul e sim do Rio de Janeiro e como dito logo no início o evento não foi promovido apenas pelo IMIL, mas também por outros think thanks. Foram quatro postos de gasolina em quatro Estados (ele esquece de mencionar justamente o Rio de Janeiro). Além disso, a gasolina não foi vendida apenas sem cobrar a CIDE – foram descontados outros impostos, tais como ICMS, PIS, COFINS, INSS….
“A quantidade de postos era irrisória; os ecos na mídia, desproporcionais”.
A quantidade de postos era simbólica e não irrisória. A idéia era mostrar como um produto pode ser mais barato se a carga tributária que incide sobre ele for reduzida. Além disso se houve “ecos desproporcionais na mídia” é por apenas um motivo: o brasileiro já está cansado de pagar tanto imposto e vê com bom grado iniciativas como esta do IMIL.
“Fazem parte do Conselho de Governança do Instituto Gustavo Franco e alguns próceres da mídia, como Roberto Civita e João Roberto Marinho. O gestor do fundo patrimonial é Armínio Fraga. O Conselho Editorial é composto por Antonio Carlos Pereira – chefe dos editorialistas do Estadão – e do inacreditável Eurípedes Alcântara, da Veja”.
Há algum problema nisso? O jornalista mostra profundo desprezo pelo pluralismo político…
“A ironia da história é que a CIDE foi criada por um governo do qual faziam parte Gustavo Franco e Arminio Fraga. Foi reduzida recentemente”.
Agora está explicado porque o jornalista coloca a CIDE como único imposto que foi descontado no evento: ele queria desmoralizá-lo, já que tal taxa foi criado no governo FHC – de quem ele deve ser profundo crítico, dada sua profunda dificuldade em entender economia. Como dito anteriormente, a CIDE foi apenas um dos impostos que foram descontados. Tai um belo manipulador da opinião pública: utiliza os dados de modo a provar suas teses.
“É importante haver centros de pensamento liberais de bom nível – assim como de outras tendências. Mas não se pode enveredar pela fabricação de factóides que, em vez de elevar o debate, acabam denotando oportunismo político”.
Mais um exemplo de manipulação. O jornalista primeiro se diz a favor do debate, mas não tem condições mínimas de debater algo. Como, pergunto, elevar o debate se o senhor Luis Nassif não tem condições de entender o significado de eventos simples, como o promovido pelo Instituto Millenium?
É triste, caro leitor, mas é mais uma prova de que a formação de jornalista deve melhorar muito em nosso país…
O problema disso é que o jornalista é um formador de opinião. Basta dar uma olhada nos comentários dos seguidores do Nassif para ver o estrago que um jornalista mal formado faz…
PS: Rodrigo Constantino publica artigo em O GLOBO sobre o evento. Leia-o aqui.
junho 2nd, 2009 at 2:33 pm
E como combater esses idiotas ?
VW responde: denunciando suas idiotices…