8,75% a.a. parece ser o “número mágico” do Banco Central para a SELIC daqui para frente. Isso é o que se depreende do comunicado pós-COPOM, linkado logo abaixo.
Em outras palavras: nas próximas reuniões não haverá alteração desse valor. Chegamos, então, a uma parada técnica na condução da política monetária. Nesse momento a autoridade monetária avaliará os efeitos das sucessivas reduções feitas até aqui na atividade econômica.
A premissa é que tais reduções tenham algum efeito (positivo) sobre as expectativas dos agentes. Isso somado à melhora do cenário internacional provocaria uma dissipação da incerteza e uma redução da aversão a risco, o que melhoraria a taxa global de investimento, refletindo-se em uma expansão do PIB nos próximos trimestres.
Independente disso, uma questão estrutural que pode ser levantada (e já está sendo levantada) pelos analistas de plantão é se esse nível de taxa de juros é sustentável em um cenário de recuperação da atividade econômica. Isto porque, dadas as melhoras esperadas, voltaremos a ter, em um dado momento do tempo, pressões inflacionárias sobre a economia. Nesse ponto, uma taxa de 8,75% a.a. (ou menor) é sustentável?
Na teoria econômica essa discussão é tratada sob o título de “taxa de juros natural”, como neste post aqui do NEPOM. Para dizer a verdade um policymaker clássico busca justamente encontrar esse patamar de juros, mantendo um nível adequado entre oferta e demanda de bens e serviços (e, portanto, do nível geral de preços e do crescimento econômico).
Qual é o problema nisso tudo? A questão delicada é que a taxa de juros natural é uma variável não observável. Você apenas estima esse patamar, dadas algumas hipóteses que você adota no modelo. Nesse sentido, acho que não é a estimação que deve ser adotada como meta por um Banco Central.
Muito mais prudente é justamente o que o BACEN vem fazendo ao longo dos últimos anos (apesar de em alguns momentos proceder com excessivo conservadorismo nas paradas técnicas), testando patamares adequados com a tendência dos preços. Assim sendo, tendo a concordar com a parada técnica atual, por achar que, de fato, é preciso observar os primeiros efeitos da política monetária na economia brasileira; porém, discordo de que esse seja o novo patamar de juros para o Brasil. Para encontrar esse valor acho que teremos de continuar cavando…
Juros? Q juros o q! Agora o negócio é o seguinte: a economia vai finalmente alavancar! Lê aki: http://sputnikafalaserio.blogspot.com/2009/07/governo-vai-taxar-burrice.html