Alô oposição! O artigo é bastante inteligente e assustador para todos aqueles que são anti-petistas.
Archive for novembro, 2009
Política monetária e curva de juros
11.15
Diz a teoria que mudanças na taxa básica de juros de curto prazo afetam as taxas de médio e longo prazo, de modo que a política monetária consegue influenciar as decisões futuras de consumo e investimento dos agentes econômicos. Em artigo bem antigo, eu minimizei essa correlação para a economia brasileira, dado que o hiato entre a taxa básica e as taxas que são referência para o consumo é extremamente elevado e os investimentos são referenciados por taxas diferenciadas.
Em paper sobre a relação entre a política monetária e a curva de juros, o economista Thomas Wu procura investigar justamente o quão potente é a influência da autoridade monetária sobre as taxas de juros de médio e longo prazo. A conclusão dele é bem parecida com a minha:
“Notamos que decisões do Copom só possuem efeitos expressivos sobre a estrutura a termo quando são inesperadas, e diferentes regressões sugerem que o que realmente importa é a magnitude da surpresa, e não da mudança na taxa Selic”.
Ainda que por caminhos diferentes, chegamos ao mesmo lugar…
A verdadeira herança maldita…
11.15
7 em cada 10 economistas estão chamando atenção para a herança maldita que está sendo deixada pelo governo petista, qual seja o profundo crescimento dos gastos correntes. Em artigo publicado em O Globo e no Estado de SP, o professor da PUC-Rio Ilan Goldfajn chama atenção para o equilíbrio macroeconômico que vem sendo desanhado desde que o Brasil é Brasil: a necessidade de poupança externa.
O trecho abaixo dá o tom do artigo:
“O Brasil quer investir e consumir mais, tanto no setor público como no privado. E, pelo ritmo atual, bem mais. Para que isso seja possível simultaneamente, há a necessidade de financiamento externo, o que significa influxos de capital, apreciação cambial e déficits externos. Mas essas consequências são indesejadas por muitos. Colocam-se barreiras aos fluxos de capital, esperando conter a apreciação e os déficits. Mas o consumo público e privado continua sendo estimulado, o que requer os mesmos déficits que se deseja evitar”.
Achei o artigo delicioso e uma bela aula de economia aberta. Para quem gosta de macroeconomia, é um prato cheio!
“Brazil takes off”, diz The Economist.
11.15
Eu não ia fazer nenhum comentário sobre a reportagem de capa da The Economist. Mas ai, o Cristiano M. Costa colocou um singelo post em seu blog, que foi devidamente comentado pelo Paulo.
Paulo escreveu o seguinte nos comentários:
“Sinceramente não entendo esse fetiche com o Brasil. É o eterno país do futuro, parece que há a sensação permanente de “agora vai!”. O Brasil é um país com o freio de mão puxado, tanto na descida como na subida, e esse freio de mão atende por “burocracia” e “alta carga tributária”. Sem falar em educação pública horrível, infra-estrutura ruim, e outros condicionantes para alto crescimento economico.
Dos BRICs por exemplo quem se destaca mesmo é Índia e China, o Brasil está ali por simpatia. Quando o Brasil tiver ao 5% de crescimento (o que é pouco em relação à China e Índia) em só 1 ano, aí dá pra falar em take off”.
Eu não aguentei e rebati:
“De fato o Brasil tem o freio de mão puxado, com diz o kara ae de cima. Temos um judiciário que gera altas externalidades negativas, formatando um clima de plena insegurança jurídica.
Mas, sinceramente, sou otimista. Acho que no médio e longo prazos nós acordaremos para a melhoria de instituições. Haverá demanda dos agentes por isso.
A meu ver, tudo começou com o Collor, quando ele promoveu a segunda e relevante “abertura dos portos” brasileiro, passando pelo governo FHC, que formatou uma série de reformas institucionais e avançou na agenda. O parentêses, claro, fica na conta do Lula, que apenas surfou na onda e nada acrescentou na agenda institucional.
Na educação começamos a investir praticamente na década de 90. Estamos longe, claro, que estamos, mas começamos. Isso é importante.
Honestamente, não gosto desse discurso anti-Brasil. Porra, falar que país bom é China e Índia é não conhecer nada desses países; é olhar apenas para taxas de crescimento e esquecer o enorme desafio institucional que esses países têm de fazer para se considerarem desenvolvidos. Comparado a estes, o Brasil leva imensa vantagem.
E não é qualquer crescimento que deve ser de interesse para o Brasil. Os saudosistas relembram do período 30-70 como se aquilo fosse o céu. Não foi. Levamos mais de duas décadas para pagar a amarga conta.
Por fim, acho que o país tá amadurecendo sim, mas não entro na onda de “take off”. É preciso construir as coisas com calma e serenidade. Já chega desse negócio de “50 anos em 5″. Já passamos dessa fase…”.
Só o fiz porque achei que Paulo forçou a barra alegando que o Brasil só está nos BRICs por simpatia… De todo o modo, um pouco de economia política internacional não faz mal a ninguém. Não vejo os BRICs como um novo pólo de poder no mundo, dado que a única coisa que parece uni-los é justamente terem sido chamados de BRICs. Mas, existindo essa denominação, não vejo o Brasil como o “patinho feio” da trupe. Muito pelo contrário. Se comparado aos outros, o Brasil é o país com melhores instituições democráticas, com maiores potenciais de construção de um robusto mercado interno e consistentes decisões de política econômica. Ao contrário do que alega Paulo, o Brasil é, dentro desse grupo, a estrela da companhia…
Não é de se espantar, portanto, o entusiasmo dos investidores estrangeiros nesse momento pós-crise; o que claramente reflete o interesse da The Economist em nosso país. Mas, novamente, sejamos cautelosos! Acho que iniciativas como o PAC só reforçam a idéia de que ainda não entendemos, de forma clara, como estruturar um país. Não serão “planos nacionais de desenvolvimento” – como o “50 anos em 5″ de JK – que nos aproximará do primeiro mundo. São sim um sistema judiciário eficiente, que reduza os custos de transação; uma infra-estrutura que gere externalidades positivas; uma educação básica pública de qualidade e um avanço institucional que reduza os juros básicos, de modo que o setor público pare de tomar poupança dos agentes privados para se auto-financiar, gerando assim um aumento consistente da relação Crédito/PIB.
Planos ou projetos nacionais de desenvolvimento são apenas peças de marketing para eleger (ou reeleger) políticos caricatos, que vez ou outra nos assombra enquanto país. Desviam uma infinidade de recursos públicos, reduzem a eficiência alocativa e trazem uma série de transtornos, como aumento da dívida pública e mais inflação.
É por essas e por outras que sou contrário ao PT e sua re-reeleição no ano que vem…
O sentimento nos trouxe de volta!
11.14
Orgulho de ser vascaíno. Orgulho dessa torcida e da nossa História…
Parabéns a todos que não desistiram, que não abandonaram essa instituição no pior momento de nossa gloriosa caminhada! Esses sim são Vascaínos! Porque ser Vascaíno é antes de tudo ser persistente. É não desistir diante de dificuldades. É não voltar para casa quando nos mandam. Porque ser Vascaíno é querer continuar em campo, mesmo quando insistem em apagar as luzes. Porque ser Vascaíno é ter desejo de vitória, é ter vontade de gritar cada vez mais alto que “o sentimento não pára”. O sentimento por essa camisa, por essas cores, por essa História, simplesmente, amigo leitor, não pode parar. Afinal, não seríamos Vascaínos se parasse…
Fora PT: 7 anos da República dos Sindicalistas…
11.12
Felizes aqueles que sabem viver sem se preocupar com a política ou com a economia. São abençoados com a fina flor da alienação, com o doce sabor da ingenuidade e, claro, com os trocados do Bolsa Família e seus similares. São estes, caros leitores, que nos oferecem a lição mais dura: nos preocupamos à toa…
Em 2006, às vésperas do pleito eleitoral, fui taxativo: reeleger Lula é sacramentar nossa “corrupção endôgena”. A partir disso, tudo seria justificado, de mensaleiros a “se lixar para a opinião pública”. Mais de 53 milhões de eleitores (?) deram de ombros e votaram no Sr. Barbudo. Nesta semana, a revista Veja, folclórico semanário de direito que insiste em me enviar números na facha, chama atenção para isso. “Vá lá Veja, só agora?”, disse eu para meus botões.
Quando digo “nós”, caro leitor, faço um mea-culpa: não sou igual a todos os demais alardeadores de plantão. Denucio, claro, a tal “corrupção endôgena”. Mas aponto o dedo para outros culpados: o povo. Não faço parte da turma do “oba, oba” – muito bem representado por Veja e seus substitutos – que repetem toda semana que “Brasília, essa capital recheada de políticos safados, enganadores do povo”. Definitivamente, tenho cá outros motivos para explicar porque reelegemos o Sr. Barbudo.
Nesses 7 anos da “República dos Sindicalistas” já vimos de um tudo: inchaço da máquina com os amigos de “el Rei”, corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, mão grande, mesada oficializada, “dane-se opinião pública”, fins justificam os meios, Dilma (como assim?) para presidente etc…
Mas vá lá, caro leitor: 2010 é quase ali. Há uma chance no final do túnel de a República dos Sindicalistas – assim a História chamará a era Lula – ser deposta. A partir de dezembro iniciarei um movimento de “Fora PT”. São 7 anos sendo chamado de burro pela autoridade presidencial. Sete longos anos aguentando os desmandos e asneiras do velho Barbudo. Não dá mais: Fora PT!
Em dezembro vai ter site e tudo…
Sobre a prova do ENADE…
11.10
A prova do ENADE de Ciências Econômicas, aplicada no último final de semana, é simplesmente ridícula. Qualquer estudante do ensino médio poderia (facilmente) responder as questões de formação geral e, com uma formação grosseira em economia daria também para responder tranquilamente as questões da parte específica.
Destaque para as questões sobre os “ministérios do governo Da Silva” e para a questão sobre marxismo, que provocaria arrepios em Marx, de tão ridícula…
Mesmo com tudo isso, muitos alunos terão resultados medíocres. Por dois motivos: 1) o fato de que a nota da prova não fará diferença alguma na vida desses estudantes (não entrará no histórico escolar), logo existe um incentivo “a não dar a mínima”; 2) muitos alunos estarem, de fato, despreparados.
O problema disso? O ENADE é uma das variáveis para construção dos índices de qualidade do ensino superior a serem elaborados pelo MEC. Sem a correção do motivo 1, a avaliação fica claramente prejudicada…
Para ver a prova na íntegra clique aqui.
Diferencial de juros ou commodities?
11.10
A conclusão é boa. Além disso a carta de conjuntura do IE/UFRJ traz um insight sobre as causas da apreciação do câmbio em 2009. Para ela existe uma “forte correlação inversa” entre preços de commodities e taxa de câmbio, de modo que esta é a principal fonte de apreciação nos últimos meses. O boletim, entretanto, descarta o diferencial de juros como principal fator de apreciação da taxa de câmbio.
E, então, diferencial de juros ou commodities? Quem está gerando a apreciação do Real?
ps: meu voto vai para os dois…
Por que o muro caiu?
11.10
Ontem foi o aniversário de 20 anos da queda do Muro de Berlim, marco simbólico do fim do socialismo real. Eu particularmente não sou muito de ficar discutindo as agrúrias desse sistema e porque cargas d´água o regime capitalista se mostrou mais flexível frente a seu substituto. Mas, como fui convidado pelo IMIL a escrever um artigo sobre o fato, acabei me pondo a ler algumas “matérias especiais” sobre isso.
O que me surpreende na leitura da imprensa tradicional é que ninguém coloca o dedo na ferida quando analisa o socialismo real vivido pela URSS: a falta que o mecanismo de preços fez. Na blogosfera, claro, existem diversos blogueiros que fizeram essa análise em outros tempos.
Particularmente, o maior equívoco dos teóricos do socialismo e do mito comunista foi ter ignorado o quão importante é o mecanismo de preços. Sem ele, o sistema produtivo depende de burocratas, tidos como “planejadores sociais”. E dá no que deu: sobram aviões, falta comida.
Para todos aqueles que ainda se iludem com essas ideias sugiro, fortemente, que leiam algo sobre “teoria dos preços”. Será a luz que os retirará da caverna, como na alegoria de Platão…
