Há algum tempo atrás, por ter lido em um blog parceiro, escrevi um post bastante irônico sobre a criação por parte do governo Lula do Ministério da Pesca e Aquicultura – o post original pode ser visto aqui.
A ironia presente naquelas poucas palavras gerou um descontentamento muito grande nos partidários do governo Lula, como, sinceramente, já era esperado. Isto porque, o brasileiro médio é totalmente a favor do dirigismo estatal, da intervenção sem limites, dentre outras coisas…
Depois de tanto tempo escrevendo neste e em outros espaços eu aprendi que na internet a democracia é apenas “um retrato na parede”, como diria Drummond. As pessoas concordam ou discordam de determinada opinião e ponto. Poucos são aqueles que possuem a mente aberta, dispondo-se a ouvir a outra parte e assim gerar um debate construtivo sobre determinado assunto.
Por minha parte acredito que essa é a única maneira de aprender. O processo de aprendizado só é válido quando se confrontam opiniões e certezas sobre determinadas coisas. E é justamente por isso que, mesmo sob o ataque às vezes irracional de determinados comentaristas, mantenho e manterei algum espaço que sirva para esse tipo de debate.
A ironia presente no post é justamente um desabafo por tudo o que tenho visto do governo Lula. Como economista tenho a exata noção dos custos e incentivos envolvidos no processo de escolha, seja ela pública ou privada. Nesse contexto, não posso ignorar o fato óbvio que não é a simples criação de um ministério que gerará a mudança de paradigma em um setor específico. Sobre esse último aspecto, o comentário do engenheiro de Pesca da SEPAq (Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura do Estado do Pará) é esclarecedor:
“Acho que o problema principal está o fato de, esse ministério está atolado de políticos incompetentes, pessoas leigas no assunto e simplesmente ainda não dispor de quadro técnico especializado para deliberar e operacionalizar ações que realmente deveriam ser prioritárias para a categoria”.
É justamente o que apontou o engenheiro de pesca que me preocupou quando soube da notícia da criação de mais um ministério. Os exemplos de aparelhamento do Estado por parte do PT são muitos e devem, sim, ser tratados tendo em vista a noção de custo e benefício. Em outros termos, a pergunta que deve ser feita é se a criação de mais um ministério, com apadrinhados políticos, terá algum retorno sobre a atividade pesqueira.
Esse aspecto é, sem sombras de dúvida, de grande relevância para a análise. O debate sério e qualificado simplesmente não pode ignorar esse questionamento. E foi justamente isso que fizeram os comentaristas ao criticarem apaixonada e inocentemente o meu post. Seguiram o canto da sereia sem nem ao menos questionar os motivos atrelados à criação de mais um ministério.
A defesa do intervencionismo e dirigismo estatal é sempre cheia de retórica e paixão. Quase nunca vem acompanhada de argumentos sérios e/ou relevantes…
Por fim, cabe ressaltar que escrevo este post para dar cabo a tamanha inocência intelectual. Os que se motivarem a elaborar argumentos paupáveis, como sempre, são bem vindos a este espaço.