Archive for janeiro, 2010

Nota Fiscal eletrônica e inflação


2010
01.26

Em um almoço nessa semana com um grande amigo dos tempos de Telemar, foi abordado um tema no mínimo curioso, que me fez pensar por alguns instantes. Meu amigo trabalha atualmente em uma distribuidora de alimentos e está envolvido no processo de migração para a Nota Fiscal Eletrônica (NFe), um novo instrumento projetado pelo governo federal que visa simplificar a vida dos empresários brasileiros e reduzir a sonegação fiscal.

A questão relevante do almoço sobre esse assunto não foi propriamente a operacionalização do novo sistema, mas sim o impacto do mesmo na, veja você, inflação. Isso mesmo, o leitor não leu errado.

A questão toda é baseada em duas hipóteses: 1) a sonegação é alta no país; 2) o dinheiro sonegado não fica com o empresário, mas é repassado para os preços – reduzindo-os. Dependendo de quão forte forem essas duas hipóteses na economia brasileira e se a NFe conseguir de fato reduzir a sonegação fiscal, é factível imaginar que haverá repasse para os preços, o que acarretará um repique inflacionário.

A idéia é interessante e merece a atenção dos economistas de plantão…

“O filho do Brasil” sofre críticas…


2010
01.22

É o que se lê aqui.

Minha opinião sobre isso aqui.

Eleição plebiscitária é o que há… Para o PT, claro!


2010
01.22

Em “Viva o pós-lulismo!”, comentei sobre o fato de que uma eleição plebiscitária neste ano deve ser tudo o que o PT quer (e a oposição NÃO deve querer). O nosso presidente-czar Lula já abriu a primeira reunião ministerial do ano apostando nessa estratégia para levar sua candidata ao planalto em 2011.

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou nesta quinta-feira, na Granja do Torto, a primeira reunião ministerial do ano. No encerramento do encontro, Lula disse aos ministros que pretende fazer uma “campanha eleitoral plebiscitária”, uma comparação de projetos realizados na sua gestão e durante os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso”.

Eu sinceramente não teria medo de uma eleição desse tipo se duas coisas fossem diferentes no Brasil: a) a população fosse educada; b) a oposição fosse razoável, no mínimo. Como nenhuma dessas duas condições são satisfeitas, tenho receio de que uma eleição plebiscitária acabará levando a ministra Dilma ao poder no próximo mandato.

A oposição brasileira é fraca, diria fraquíssima. Se conseguiram perder em 2006, com todo a lama que havia no governo petista, imaginem agora, com toda essa simpatia que o mundo anda cultivando pelo Brasil?

Ministério da Pesca e Aquicultura: uma refutação aos comentários inocentes.


2010
01.21

Há algum tempo atrás, por ter lido em um blog parceiro, escrevi um post bastante irônico sobre a criação por parte do governo Lula do Ministério da Pesca e Aquicultura – o post original pode ser visto aqui.

A ironia presente naquelas poucas palavras gerou um descontentamento muito grande nos partidários do governo Lula, como, sinceramente, já era esperado. Isto porque, o brasileiro médio é totalmente a favor do dirigismo estatal, da intervenção sem limites, dentre outras coisas…

Depois de tanto tempo escrevendo neste e em outros espaços eu aprendi que na internet a democracia é apenas “um retrato na parede”, como diria Drummond. As pessoas concordam ou discordam de determinada opinião e ponto. Poucos são aqueles que possuem a mente aberta, dispondo-se a ouvir a outra parte e assim gerar um debate construtivo sobre determinado assunto.

Por minha parte acredito que essa é a única maneira de aprender. O processo de aprendizado só é válido quando se confrontam opiniões e certezas sobre determinadas coisas. E é justamente por isso que, mesmo sob o ataque às vezes irracional de determinados comentaristas, mantenho e manterei algum espaço que sirva para esse tipo de debate.

A ironia presente no post é justamente um desabafo por tudo o que tenho visto do governo Lula. Como economista tenho a exata noção dos custos e incentivos envolvidos no processo de escolha, seja ela pública ou privada. Nesse contexto, não posso ignorar o fato óbvio que não é a simples criação de um ministério que gerará a mudança de paradigma em um setor específico. Sobre esse último aspecto, o comentário do engenheiro de Pesca da SEPAq (Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura do Estado do Pará) é esclarecedor:

“Acho que o problema principal está o fato de, esse ministério está atolado de políticos incompetentes, pessoas leigas no assunto e simplesmente ainda não dispor de quadro técnico especializado para deliberar e operacionalizar ações que realmente deveriam ser prioritárias para a categoria”.

É justamente o que apontou o engenheiro de pesca que me preocupou quando soube da notícia da criação de mais um ministério. Os exemplos de aparelhamento do Estado por parte do PT são muitos e devem, sim, ser tratados tendo em vista a noção de custo e benefício. Em outros termos, a pergunta que deve ser feita é se a criação de mais um ministério, com apadrinhados políticos, terá algum retorno sobre a atividade pesqueira.

Esse aspecto é, sem sombras de dúvida, de grande relevância para a análise. O debate sério e qualificado simplesmente não pode ignorar esse questionamento. E foi justamente isso que fizeram os comentaristas ao criticarem apaixonada e inocentemente o meu post. Seguiram o canto da sereia sem nem ao menos questionar os motivos atrelados à criação de mais um ministério.

A defesa do intervencionismo e dirigismo estatal é sempre cheia de retórica e paixão. Quase nunca vem acompanhada de argumentos sérios e/ou relevantes…

Por fim, cabe ressaltar que escrevo este post para dar cabo a tamanha inocência intelectual. Os que se motivarem a elaborar argumentos paupáveis, como sempre, são bem vindos a este espaço.

Uma oportunidade para entrar na bolsa…


2010
01.21

É o que Cristiano M. Costa identifica aqui.

Deficit externo deve ser preocupação?


2010
01.20

O crescimento da economia brasileira em 2010 deve gerar ao menos uma externalidade negativa: o aumento do deficit em conta corrente. Isto porque, com o aumento da renda, provocada pelo incremento da produção de bens/serviços, gera-se aumento das importações, reduzindo o saldo na balança comercial. Além disso, o maior fluxo de investimentos estrangeiros verificado nos últimos anos tem gerado um aumento considerável na remessa de lucros e dividendos para o exterior, o que faz aumentar o deficit em conta corrente.

A questão que segue é a seguinte: isso é preocupante? A resposta mais lógica é que sim, porque para financiar esse deficit é preciso contar com o contínuo fluxo de capitais estrangeiros para o Brasil. Ou seja, ficamos na dependência de um cenário externo bom e baixa aversão a risco, de modo que os investidores continuem mandando dólares para cá.

Uma reversão de expectativas pode dificultar o financiamento desse deficit e gerar uma imediata depreciação cambial. Isto, por sua vez, gera pressão inflacionária sobre a economia, o que aciona a política monetária e freia o crescimento econômico. Desse modo, sim, o deficit externo deve ser uma preocupação para os próximos anos.

Os que, pelo contrário, não veem tal questão como preocupante estão acreditando em uma continuação da atração de capitais por parte do Brasil. E isso, claro, depende de uma continuação da recuperação da economia mundial. Não digo que esse não seja um cenário factível para os próximos anos. A questão mais importante é a mesma que já toquei em artigo anterior (disponível aqui): por mais que tenhamos reduzido nossa vulnerabilidade externa conjuntural, ainda temos uma pesada vulnerabilidade externa estrutural.

E isso é representado justamente por deficits estruturais em conta corrente e a atratividade que a conta financeira possui. Não é outra coisa que caracteriza um país subdesenvolvido. Se quisessemos abandonar esse modelo de crescimento com poupança externa (que está ai não é de hoje), deveríamos promover reformas estruturais com o objetivo de aumentar os mecanismos de crédito, de modo a financiar o investimento de que precisamos.

Por fim, é preciso salientar que o deficit em conta corrente é sim preocupante. A redução da nossa vulnerabilidade externa é conjuntural. Continuamos expostos a reveses na economia mundial. Seria interessante que os analistas de plantão se demonstrassem preocupados com essa questão.

Racismo na UERJ


2010
01.20

Isso é uma vergonha!

Os muros do Teatro Odylo Costa Filho, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), apareceram pichados com exortações racistas e símbolos nazistas na manhã desta segunda-feira. A Uerj foi a primeira universidade pública do país a adotar o sistema de cotas, em 2003. A universidade informou que está investigando para descobrir a autoria das pichações, que devem ser apagadas em, no máximo, dois dias.

racismo

A CF de 88 é muito clara a esse respeito: “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”.

O cidadão que fez isso não merece a água que bebe. Para mim é um animal, um delinquente, um merda, que deveria estar atrás das grades!

Universidades estatais gratuitas vs. Universidades privadas de qualidade questionável: a existência de uma causa a outra.


2010
01.15

Artigo publicado no IMIL hoje discute a interessante correlação entre a existência de uma universidade estatal gratuita e o fato de as universidades privadas serem, na média, de qualidade questionável. O argumento principal é que um causou o outro.

Leia-o aqui.

A falência do sistema de ensino superior brasileiro


2010
01.11

Enquanto o sistema estatal não competir com o sistema privado, coisas como essa se tornarão cada vez mais constantes.

Incentivos


2010
01.11

Minha principal discordância com Aristóteles é sobre sua idéia de sociabilidade natural do ser-humano. Acho que ele radicalizou um pouco essa visão – nesse aspecto tenho mais afinidade com a explicação do Hobbes. Enfim, aqui não é esse o ponto (nessa manhã estou viajando um pouco). A questão é que Ari tinha clara noção da importância dos incentivos, como fica claro no trecho abaixo de Política:

“Aquilo que é comum para o maior número de pessoas recebe a quantidade mínima de cuidado. Os homens dão atenção máxima apenas para aquilo que lhes pertence; eles se preocupam menos com o que é comum para todos; ou se preocupam apenas até o grau que for do seu interesse individual. Mesmo quando não há motivo para a negligência, os homens são mais propensos a serem omissos em suas tarefas sempre que pensam que outro está se incumbindo dela”.

Ari não era bobo, sabia que os incentivos é que guiam as ações humanas. Tem muita gente boa por ai que parece não dar a devida atenção a isso…