Os leitores que por este blog passam notaram que pouco o atualizei nas últimas semanas. Peço desculpas. Foi um período de profusão festiva, por assim dizer. Quase não parei em casa, fui a muitos eventos comemorativos, revi uma infinidade de pessoas e refleti bastante sobre o decurso da minha vida nos últimos tempos.
Há dois anos que não faço as tais “resoluções de Ano Novo”. Talvez porque minhas obsessões, digo objetivos, tenham se mantido nesse período. Entretanto, para 2010 a coisa mudou um pouco de figura. O ciclo que estava vivendo se fechou e, portanto, é oportuno que se tenha uma nova cruzada para lutar. A que escolhi pode parecer para os que me conhecem um “mais do mesmo”, mas de fato não o é.
Ser escritor é um sonho que acalento desde a infância. Ocorre que o decurso de nossas vidas vai nos forçando a fazer escolhas que nem sempre se adequam aos nossos desejos juvenis. Apesar de escrever todos os dias, não me sinto um escritor, pelo simples fato de ainda não ter publicado um livro. Pois essa é justamente a realidade que pretendo mudar em 2010.
Os sonhos são coisas que todos nós temos (ou devemos ter). As pessoas sonham em ter um emprego melhor, morar em um lugar bacana, viajar, encontrar uma pessoa legal etc. Isso é extremamente importante para mantermos a alma sã e não sermos tomados por um realismo esquizofrênico. Mas apenas isso não basta.
Os meus objetivos nascem, de maneira geral, dos meus sonhos. Imagino-me vivendo uma determinada realidade durante um certo tempo. Reflito se tal realidade é algo que gostaria de viver ou se é apenas uma fantasia sem maiores pretensões. Caso seja, observo a “factibilidade” e a elejo como um dos meus objetivos de vida.
Não é automático, caro leitor. Na maioria das vezes esse processo leva o decurso de anos. Para que um sonho se torne um objetivo pessoal, é necessário que eu viva muitos invernos. Quisera eu que isso fosse assim mais rápido. Mas nem tudo é como gostaríamos que fosse.
O sonho de ser escritor é um exemplo típico. O acalento há uns 15 anos mais ou menos. Mas somente no ano passado o tenho encarado de frente. Stephen Koch não poderia estar mais certo quando disse o seguinte: “Primeiro, tente se tornar outra coisa, qualquer outra coisa… Você só deve se tornar escritor se não tiver escolha. Escrever tem de ser uma obsessão – é apenas para os que dizem: ‘Não vou fazer outra coisa’”.
Meus amigos sabem o quanto eu tentei me tornar “outra coisa”. Mas mesmo hoje, trabalhando em algo que me traz grande prazer, ainda acalento aquela insatisfação do tipo “falta alguma coisa” ou “não é isso…”. Ao contrário de muita gente, eu procuro não ignorar esses pensamentos. Muito pelo contrário: guardo as tardes de sábado para todos eles.
Os tais sonhos a que me referi, quando confrontados com a rotina que se esta vivendo, é que geram esses pensamentos, essa insatisfação interna. É como se uma voz inconformada te cobrasse a todo o instante que há algo em que se pensar…
Algumas pessoas acham que a mudança é um sinal de que se esta perdido. Eu não poderia discordar mais desse “argumento”. Ora, a vida é, por si só, um sistema extremamente dinâmico, onde um evento aleatório pode causar uma série de mudanças involutárias. Por que, então, eu, como agente pensante, não posso tomar as rédeas da vida e antecipar as mudanças ou responder à estímulos internos? Por que eu devo viver acorrentado a uma carreira, a um casamento, a um lugar?
No fundo, no fundo, a maioria das pessoas tem medo de despreender-se de suas rotinas e se entregar a algo absolutamente novo. Não me levem muito a sério, caros leitores: eu também já fui assim! Dar o primeiro passo é algo extremamente complicado. Exige um bom tempo – que varia de indivíduo para indivíduo – de reflexão. Aquele processo de transformação de sonho em objetivo é algo que demanda coragem e muita, mas muita determinação.
Mas rompida a primeira amarra que nos prende na caverna, o resultado é maravilhoso. É como se sentir livre, despreendido de qualquer sentimento de culpa ou de arrependimento. O que veio a minha cabeça quando dei o primeiro passo foi apenas uma coisa: “por que eu não fiz isso antes?”…
E é por tudo isso que, após ter tentado ser “várias outras coisas” que transformei na virada de 2009 para 2010 aquele sonho de ser escritor em objetivo, em obsessão. Essa é minha resolução de Ano Novo, a primeira depois de dois anos fechado para balanço. Sei das dificuldades hércules que terei pela frente para concretizá-lo, mas, cá entre nós, valeria a pena se não fosse assim? O leitor amigo já sabe a resposta…
Feliz Ano Novo para todos e faço votos que consigam transformar sonhos em objetivos!
Cara, boa sorte, foco, garra e estratégias pra atingir o objetivo de 2010!
Como sabemos, é de batalhas que se vive a vida… E é legal começar o ano novo assim, com o frio na barriga e a expectativa de que percorrerá caminhos novos/ renovados.
É meu caro VW, li e reli seu texto … Embora, a mensagem principal seja obviamente a sua resolução de ser escritor e o prazer decorrente de superar o desafio de atingir objetivos como esse, eu acabei refletindo mais sobre a questão das mudanças !
Quando você fala que “Algumas pessoas acham que a mudança é um sinal de que se esta perdido”, assim como você também discordo dessa argumentação, mas não de forma tão veemente quanto você, pois há sim pessoas que mudam tanto sem ter a paciência de esperar o resultado da mudança. Para essas sim (e que acho são a grande maioria), as mudanças são um sinal de que está sem rumo, perdido !
Nenhuma mudança pode ser feita de qualquer maneira, tem que ser como você comentou no texto, pensada e muito bem pensada, medindo não só os riscos da mudança, mas também o quanto de tempo teremos que gastar para ter retorno com a mudança. Paciência é uma palavra-chave nesse momento, mas paciência não significa esperar de braços cruzados, mas sim saber que tudo tem um tempo para acontecer assim como teve para ser pensado.
Bom, é isso, meu caro … Abraços e sucesso nessa nova empreitada !