Hoje, em minha leitura matinal, encontrei artigo sobre o Rio de Janeiro. O tema central do mesmo era a velha mantra de que devemos salvá-lo da corrupção, dos desmandos dos políticos e da criminalidade. Um bla, bla que não acaba mais, vindo de mais um jornalista que não entende de incentivos – não sei porque insisto em lê-los. Apesar do roteiro previsível, o simples fato de ter dado com ele me abriu os olhos para uma questão bastante interessante.
Final de Semana na Lapa com amigas paulistanas. Fomos ao Carioca da Gema curtir um sambinha. Por lá o que mais se ouvia eram sotaques diferentes. Mineiras aos montes, baianas, pernambucanas e até sulistas do Rio Grande… Isso não é uma observação pontual, caro leitor: o Rio de Janeiro concentra a maior parte do fluxo de turismo tanto interno quanto externo.
As razões para isso são óbvias e não tocarei nelas aqui. O que me deixa intrigado é que isso só revela o que há muito se sabe: O Rio de Janeiro é apaixonante. É claro que é cheio de problemas e, sinceramente, sempre continuará sendo. O nosso locus cultural é algo surpreendemente voltado para a acomodação, para o lazer, para coisas não tão sérias assim.
Nós nunca seremos como São Paulo, por exemplo. O Rio é uma cidade caótica desde que foi formada e dificilmente mudará. Por aqui já tentaram conceber “ordem e progresso” muitas outras vezes, mas nunca deu muito certo. O carioca parece não reagir muito bem à “choques civilizatórios”, diferentemente de outros povos brasileiros. Nossa cidade (e nosso Estado) tem uma vocação imensa para ser a babel do mundo. E é justamente isso que atrai tanta gente para cá, a despeito da violência e do caos urbano.
Fique claro que não estou defendendo essa realidade, mas apenas a apontando. Sinceramente, já estou de “saco cheio” de ler jornalistas que não leram nada na vida de sociologia e economia falando um monte de asneiras por ai. Também estou de “saco cheio” de ouvir pessoas de outros estados falando que o “Rio é uma zona, que tem muita violência e bla, bla, bla”.
Já disse inúmeras vezes que o Rio não é a cidade mais violenta do Brasil. A questão é que nossa violência está todos os dias nos telejornais, enquanto que pouco se divulgam os homícidios da zona leste de São Paulo ou de Recife. Nossas feridas estão todas abertas para quem quiser ver e falar abobrinhas. Não escondemos nossa miséria, não segregamos as pessoas (como fazem São Paulo, Curitiba, Brasília etc.). Definitivamente, o Rio de Janeiro não tem medo de ser o foco das críticas e das análises imbecis.
E talvez por isso, por nossa sinceridade, por nossos defeitos e, claro, por nossas belezas é que somos o destino preferido de 9 em cada 10 brasileiros. E se assim o é, porque ficar falando um monte de asneira? Por que concentrar-se no que “deveria ser” e não no que de fato é? Aceitem-nos como somos ou vão fazer turismo em Sampa – inauguraram uma ponte lindíssima por lá…
Já dizia a “grande poetisa do funk” Fernanda Abreu: Rio 40 graus, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos !!! Concordo com td que foi dito, só me resta assinar embaixo desse artigo …
E é isso que sempre disse também. O Rio é um lugar maravilhoso pra quem não se incomoda em viver onde regras não são seguidas; e perfeito pra quem gosta de zona. E convenhamos, quando somos turistas nosso objetivo claro é diversão… e diversão+zona não é má ideia, né? rsrs
Com relação a moradores, quem quer viver em uma cidade “certinha” tem 3 opções: 1-lutar a luta sem fim de querer mudá-la; 2- aprender a aceitá-la do jeito que é e fechar os olhos para os problemas; 3- ir viver em outro lugar.
O carioca médio reclama, reclama mas na verdade escolhe a opção #2 desde criancinha. Como vc sabe, não tenho mais saco pra #1 e portanto sou adepto da #3 já fazem alguns anos…
Purgatório da beleza e do caos como Serginho falou… mas cada vez mais caos do que beleza isso sim! Beleza existe em um bando de outros lugares do Brasil e do mundo. E dizer que determinado lugar é mais bonito que outro é igual discutir Loira vs Morena, Cerveja vs Vinho, Porsche vs Ferrari… a decisão é pessoal ou até circunstancial.
O que é difícil encontrar é esse somatório de coisas que vc citou. E esse sim é o diferencial positivo (acredite ou não) do Rio: o fato de ser uma belíssima e maravilhosa… ZONA.
Forte Abraço.