Sem medo do passado

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso elevou o tom das críticas ao atual governo. Em artigo publicado ontem no jornal O GLOBO, o czar tucano descreveu com grandes detalhes as conquistas da sua administração e condenou, de forma bastante categórica, os “impulsos toscos e perigosos” do presidente petista.

Além disso, alertou para a estratégia de guerrilha que provavelmente será utilizada pelo PT nas eleições. O trecho abaixo do artigo é bastante interessante:

“Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas, os dados, ora os dados… O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas, Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal. Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado”.

Não há dúvidas de que o PT repetirá a estratégia de 2006, no qual foi bem-sucedido. Condenar e ridicularizar os dois governos FHC fazem parte do mote petista. E, claro, há na sociedade brasileira grande repulsa e aversão aquele período. Culpa do próprio PSDB que não soube defender seu quinhão de forma convincente, como venho dizendo aqui há um bom tempo.

Acho louvável que o próprio FHC, assim como todos os demais tucanos, venha a público defender aquele período. Não há justificativa para que o PT fique com os louros de todo o arcabouço institucional, econômico e social criado pelo governo tucano.

Para ler o artigo completo de FH clique aqui.

2 Responses to “Sem medo do passado”

  1. Sergio Says:

    Eu sinceramente não entendi pq os tucanos insistiram na candidatura Serra, pois se os tucanos querem desvincular o caráter plebiscitário da eleição, estão usando a estratégia errada ! Serra é reconhecido nacionalmente como “eterno candidato a sucessor de FHC” e além disso, ele não é uma pessoa que “pede a bola”, fica escondido atrás de FH, que ainda hoje é o responsável pelas grandes declarações do partido.

  2. admin Says:

    Comentário do VW – A “insistência” tem um único motivo: não há outro nome dentro do partido testado nacionalmente nas urnas. A candidatura do Aécio é vista com bons olhos por boa parte do diretório nacional, mas há justamente esse problema de falta de reconhecimento nacional. A cúpula do partido sabe dos riscos de uma eleição plebiscitária, mas não há como correr dela. O PT irá fazer tática de guerrilha e só restará ao PSDB defender o seu quinhão com unhas e dentes, coisa que não fez em 2006. Acho que o partido já entendeu isso, apesar de ter demorado a responder a altura as falsas declarações do lulismo.

    Hoje, toda a cúpula tucana e a militância estão envolvidos, de alguma forma, na destruição da estratégia petista de excomungar a administração FHC. Há muita coisa para ser dita sobre essa época que não foi dita. O governo FH, ao contrário do governo petista, foi um governo de coalizão mais fechada, com o PFL e o PMDB e alguns partidos periféricos sem muita influência no centro de decisão. Isto possibilitava um maior poder de barganha nas votações e, claro, um atropelo completo da opinião popular. Além disso, os resíduos das crises internacionais e domésticas (México, Tigres Asiáticos, Rússia, maxidesvalorização cambial em 99 do Brasil, Argentina, Bolha das ponto.com e Crise energética) vivenciadas à época, como juros estratosféricos e desemprego, geraram uma insatisfação muito grande na sociedade e sequer foi discutida pelo partido.

    Por fim, as declarações tem sido feitas constantemente por quase todos os tucanos. Mas, claro, uma declaração mais arredia de um ex-presidente gera um impacto muito maior. Não é a toa que FH foi chamado para o combate… Esse é um ano decisivo na história do PSDB: ou digere a administração FHC junto à sociedade, ou amarga o domínio completo do PT sobre a política nacional nos próximos 10 anos. Não há alternativa: é preciso entrar no ringue, mesmo com uma eleição plebiscitária.

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