Artigo sobre Universidades Privadas ainda repercute…

2010
02.10

O artigo “Por que as universidades privadas são, na média, de qualidade questionável?” tem repercutido bastante. Mesmo passado quase um mês que o publiquei no IMIL, ainda recebo e-mails e comentários sobre o mesmo.

Eu sinceramente não esperava por isso. Apesar da tese central do artigo ser bastante simples – a gratuidade nas universidades estatais ser causa da má qualidade das universidades privadas -, não esperava que o mesmo fosse muito lido porque ele é bastante longo. O original dele continha dez páginas. A versão final ficou com cinco. Ou seja, muita coisa para se esperar uma leitura atenta do mesmo.

Nesse aspecto em particular, muito me surpreendeu o fato de que os elogios superavitaram as críticas. E estas, em sua grande maioria, foram bastante superficiais. Muito poucas mereceram algum tipo de réplica. Por exemplo, observe o comentário abaixo, disponibilizado no portal “Opinião e Notícia”:

“‘Os alunos mais bem preparados,ocupam tais vagas’. Não. Por uma questão política, a educação escolar deveria ser estabelecida no contexto de um plano nacional de educação. Todos os alunos por opção seriam bem preparados,ocupamdo as vagas disponibilizadas pelo Ministério da Educação,num sistema universal de distribuição de vagas. que acompanharia o aluno desde a matrícula inicial até a formação gradual. Formação é uma questão estratérgica da Nação e opção do indivídou. Todas as escolas disponibilizaria as vagas para um sistema universal de distribuição de vagas. O MEC com a sua competência atribuíria as vagas aos alunos. ‘Todos tem direito a educação’”. (comentário copiado conforme o original, inclusive com erros ortográficos e gramaticais)

O autor do comentário provavelmente não leu o meu artigo até o final. Isto porque, na conclusão do mesmo deixo como uma das opções para resolver o problema a estatização completa do sistema. Não que considere essa opção a mais eficiente (discussão que preferi deixar para outro artigo), mas a deixei em aberto. O interessante é observar a carga ideológica do comentário. Não há nenhuma manifestação de cunho técnico. O que existe no comentário é apenas retórica, com apelo até mesmo a bordões.

As críticas a meus artigos sobre educação possuem (quase) sempre esse viés. Há uma espécie de “rancor ideológico”, típico dos panfletos sindicalistas da área educacional. Como já me manifestei em outras ocasiões me recuso a rebater críticas sem o mínimo de conhecimento técnico sobre o assunto em questão (nesse caso, sobre educação superior).

O tema do artigo é apaixonante, confesso. O estudo já há alguns anos. E talvez por isso me entristece não receber críticas mais fundamentadas. Os que, por exemplo, defendem a estatização completa do sistema (da pré-escola ao pós-doc) poderiam fazer uma pesquisa sobre a matriz de custo de tal escolha (coisa que já existe na base de dados do IPEA, por exemplo). Qual seria impacto dessa escolha hoje, seja em termos de finanças públicas, seja na operacionalização do sistema. Enfim, poderia haver algum tipo de argumentação fora da tradicional discussão ideológica.

Toda a minha argumentação é feita, claro, partindo do ponto de vista econômico. Estou atento a fatores como custos, incentivos e eficiência do sistema. Alguns criticam essa abordagem por não considerá-la humana, por ter um viés privatista e outras coisas do tipo. Mas não apresentam alternativa plausível. Gostaria de ler algum pedagogo ou cientista social que tivesse uma abordagem consistente sobre educação. Uma tese que não fosse viesada. Toda a minha argumentação tem como único objetivo a melhoria do sistema educacional, seja o básico ou o superior, com os menores custos possíveis. Se há discordância dessa abordagem “tecnicista” para alguns, que se mostrem ARGUMENTOS (no sentido aristotélico mesmo) contrários…

Mas, apesar de tudo, fico feliz que haja cada vez mais interesse nesse tema…

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