Artigo que escrevi em janeiro do ano passado, mas bastante atual diante dos problemas que estamos vivendo…
“Algo sempre me intrigou em nossa sociedade: por que as pessoas nunca assumem-se responsáveis pelos problemas brasileiros? Em outras palavras: por que a culpa é sempre de outros agentes? As pessoas estão sempre reclamando que as nossas ruas estão sujas, que os nossos rios estão poluídos, que as nossas escolas não prestam, que o país vive um surto de dengue etc. Mas será que essas mesmas pessoas já pararam para pensar que contribuem para que todos esses eventos ocorram?”
Archive for the ‘Política’ Category
Caos no Rio de Janeiro: por que a culpa nunca é dos indivíduos?
04.08
Caos no Rio de Janeiro: e agora, o que faremos?
04.08
Ficaremos sentados, esperando pela próxima tragédia ou começaremos a construir um país melhor?
Pararemos de jogar lixo nas ruas, cobraremos obras de infra-estrutura ou ficaremos sentados assistindo a construção de obras como a Cidade da Música?
Vamos pesquisar mais os políticos ou continuaremos votando em figuras suspeitíssimas como o Sr. Garotinho e a Sra. Rosinha?
Vamos comparecer às Casas Legislativas ou continuaremos nem sabendo onde elas ficam?
Vamos participar da vida política de nosso país, filiando-se a partidos e associações civis ou continuaremos saboreando a ignorância, gritando aos quatro cantos que odiamos política?
Vamos nos reunir enquanto sociedade para seriamente cobrar melhores serviços públicos ou vamos continuar fazendo passeatas esporádicas na praia?
Vamos participar das reuniões de orçamento participativo de nossos municípios ou continuaremos em casa assistindo à novelas?
Vamos frequentar as escolas de nossos filhos para cobrar um melhor ensino ou vamos continuar achando que a responsabilidade é de terceiros?
E agora, o que vamos fazer?
Estou farto de ver a surpresa das pessoas com tudo o que está acontecendo. Estou de mau humor por ver as cidades que amo (Rio e Niterói) nesse estado de calamidade. Estou de saco cheio de ouvir jornalistas esbravenando a culpa dos políticos. Os culpados somos nós! TODOS Nós! Quero mudanças! E você, o que quer?
Caos no Rio de Janeiro: o problema é antigo.
04.08
Após tudo o que aconteceu no Rio de Janeiro e em Niterói – e que escrevi sobre aqui – estamos, agora, no próximo nível do jogo: boatos de saques e arrastões, como pode ser visto na notícia abaixo:
“O comandante do 12º BPM (Niterói), coronel Rui França, informou que o boato de arrastão em Niterói no início da tarde desta quinta-feira começou depois que três ou quatro rapazes praticaram um furto numa loja da Praça do Rink, perto do Plaza Shopping. Segundo o oficial, os rapazes integravam ou se infiltraram num grupo de moradores do Morro do Estado – a maior favela de Niterói – que fazia um protesto pedindo atenção às vítimas de deslizamentos no morro, situado na região central de Niterói”.
É preciso dividir esse próximo passo em duas partes, para melhor análise. Em primeiro lugar, é preciso entender que a imprensa tem grande responsabilidade (ou deveria ter) sobre os fatos que noticia. Logo que os boatos começaram, vários jornais on-line noticiaram o fato como se arrastões e saques estivessem ocorrendo em toda (TODA) a cidade de Niterói. Ou seja: em meio a todas as notícias trágicas que estamos vendo a imprensa deve ter sua parcela de responsabilidade. É preciso sim informar tudo o que está acontecendo, mas não se pode ser leviano ao ponto de aumentar toda essa desgraça.
Neste momento, por exemplo, várias lojas e demais estabelecimentos comerciais fecharam as portas, seja no Centro, seja em Icaraí. Algumas pessoas me ligaram ou me mandaram menssagens perguntando se estou bem. Tudo porque notícias equivocadas e sem nenhuma comprovação foram distribuídas. Sensasionalismo desnecessário, portanto. Isso poderia ser evitado se houvesse poderação na apuração dos fatos – coisa rara na imprensa brasileira.
Em segundo lugar, temos o ciclo natural das tragédias, que não deveria surpreender ninguém – nem muito menos a imprensa. Quando as mesmas acontecem, é preciso que existam contingências. Ou seja, é preciso que o Estado esteja preparado para atuar de forma rápida e eficaz na remoção de soterrados, no socorro às vítimas e em tudo o que diz respeito à volta da normalidade urbana.
Como todos sabemos, nada disso existe. A falta desse poder de reação do Estado frente aos problemas ocorridos faz com que a sensação de pânico da sociedade seja aumentada ainda mais. Principalmente entre a população dos morros, que são o foco maior dos desastres. A revolta tende a tomar conta dos mesmos, diante do descaso e da falta de assistência por parte do Estado.
É justamente isso que está acontecendo nesse momento. Há muita revolta por parte dessa população. E isso tende a se refletir no aumento dos saques, dos arrastões, dos bloqueios de ruas e estradas e toda a sorte de eventos consequentes. O que estamos vendo agora é apenas o reflexo de nossa falta de preparo enquanto cidade e enquanto país.
O que estamos vendo são as consequências de escolhas erradas. Consequências das reformas modernizantes de Pereira Passos, que ao invés de investir em transporte público, foram coniventes com a ocupação dos morros cariocas. Estamos vendo as consequências de uma abolição mal e porcamente executada, refletindo a total exclusão dos negros. Estamos vendo as consequências da inexistência de planejamento urbano. Estamos vendo as consequências da falta de educação da população. Nada disso é novo, nada disso é de agora.
As tragédias contém lições. Já tivemos várias e ainda não aprendemos. Será que vamos aprender dessa vez? É esperar…
Royalties do petróleo deveriam ir para a educação…
04.02
Li muito sobre a discussão dos royalties do petróleo. Muita coisa foi publicada tanto no mídia impressa quanto na internet sobre o assunto. A maioria das opiniões, entretanto, foi bastante rasa e concentrada, em demasia, na tomada de lado – se o Rio estaria certo ou não em brigar pelo recebimento do dinheiro do petróleo.
Minha opinião sobre o assunto é, entretanto, a mais trivial possível: o dinheiro do petróleo deveria ir para a reforma do sistema de educação básica brasileiro. Ao menos a maior parte dele. É um absurdo que esse dinheiro vá, por exemplo, para a construção de um calçadão com pedras italianas – como foi feito em Saquarema. É rídiculo que a decisão sobre a aplicação desse dinheiro fique nas mãos de governadores e prefeitos com reputação bastante suspeita.
A opção pela educação se mostra a mais racional possível. Ao invés de nos tornarmos um país de “minas, fazendas e poços de petróleo”, poderíamos dar início à construção de uma nação realmente desenvolvida se investíssimos a maior parte desse dinheiro na educação de nossas crianças e jovens.
Poderíamos dar início a federalização do ensino básico, com a implantação de um piso salarial mais elevado, de modo a atrair as melhores mentes para a carreira de professor. Melhorar a formação dos docentes, aliás, deveria ser uma das prioridades para o uso do dinheiro do petróleo. Poderíamos ampliar as licenciaturas, rever seus currículos, promover processos seletivos mais rígidos, dar bolsas integrais aos estudantes etc. Tudo isso.
Além disso, poderíamos melhorar a infra-estrutura das escolas, construindo quadras esportivas, piscinas e laboratórios de informática. Ao invés de gastarmos rios de dinheiro sediando eventos do porte de uma Copa do Mundo ou de uma Olimpíada, poderíamos nos preocupar em formar atletas. Por que não construimos um programa sério de formação de atletas, dando suporte às crianças e jovens que se destacarem em algum esporte?
Por que não mudamos os currículos de nossas escolas, ampliando o tempo de ensino, tornando-o integral? Com o dinheiro do petróleo isso não seria possível?
Tudo isso e muitas outras coisas seriam possíveis se, ao invés de irmos a uma passeata idiota cujo título é “Contra a Covardia, em defesa do Rio”, nos colocássemos a favor do Brasil. Sem bairrismos tolos, sem bandeiras erradas, poderíamos estar discutindo, pela primeira vez em nossa História, possibilidades reais de desenvolvimento. Entretanto, mais uma vez, políticos suspeitíssimos como o excelentíssimo governador do Rio de Janeiro, distorcem tudo e colocam no centro do debate falsas prioridades.
E o mais triste nisso tudo? Poucas, pouquíssimas mesmo, são as vozes destoantes… Sigo otimista em relação ao futuro do Brasil, mas vendo coisas como essa, meu otimismo diminui um pouco…
Eleições 2010
03.27
Minhas primeiras eleições foram as de 2000, para prefeito e vereador. Tinha 17 anos. Fiz questão de tirar o título de eleitor, mesmo não sendo obrigatório. Aliás, na minha opinião o voto deve ser facultativo, pois é um direito e não uma obrigação.
Naquela época minha visão sobre política era bastante míope. Achava, como a maioria, que políticos eram responsáveis pelo desenvolvimento econômico e social do país. Os governos deveriam guiar a sociedade rumo ao progesso e à ordem.
Ao longo desses dez anos, porém, minha opinião foi sensivelmente modificada. Apesar de considerar a criação de um Estado forte como condição necessária para se ter uma sociedade mais justa e desenvolvida, considero outros pontos também importantes. Hoje vejo que quem desenvolve um país são as pessoas e não necessariamente o Estado. São as pessoas que acordam cedo, que estudam, trabalham, criam, inovam, abrem empresas, têm idéias…
A iniciativa individual é uma variável bastante importante (talvez a principal) na construção de uma sociedade desenvolvida. Nesse contexto, ao Estado cabe tarefa bastante importante: fazer com que tal iniciativa seja facilitada. É por isso que deve-se ter instituições que permitam a manutenção de um ambiente de negócios harmônico e aberto a novas possibilidades.
Sobre isso é preponderante que se tenha um judiciário eficiente. Com ele, tem-se segurança jurídica. Isto significa que contratos serão respeitados. Empresas terão sua vida facilitada, pois não estarão sujeitas a custos de transação elevados. Terão acesso a financiamento com taxas de juros mais baixas, pois o risco de crédito será baixo. Construir um sistema judiciário eficiente é um dos principais bens públicos que o Estado pode prover à sociedade.
Seguindo a linha social-liberal, porém, há outro bem meritório que deve ser ofertado pelo Estado: a educação básica. Não deve ser apenas prestado, mas deve ser uma obsessão de qualquer político. Educação básica pública de qualidade é a única forma de reduzir desigualdades e construir uma sociedade mais justa, mais igualitária.
Como cidadão-eleitor essa consciência só se manifestou plenamente a partir das últimas eleições presidenciais. Nela encontrei um político com um discurso bastante parecido com meus próprios princípios. Não só discurso: um programa de governo inteiro dedicado ao tema da educação. Suas idéias iam de encontro a meus pensamentos e opiniões. Não tive dúvidas a não ser voltar em Cristovam Buarque em 2006.
Nas eleições de 2010, minha terceira eleição presidencial, não terei o prazer de votar em Cristovam, porque provavelmente ele não concorrerá – o PDT prefere apoiar o PT. Minha escolha ficará, então, entre Serra (PSDB), Dilma (PT), Marina (PV) e outros candidatos ainda não inseridos no pleito. Diante do quadro não é muito difícil de escolher o candidato ao qual votarei.
Em 2002, ainda agarrado às correntes, votei no PT de Lula. Não apenas isso: fui à posse daquele que se dizia “o primeiro operário a chegar ao poder”. Depositei nele minhas mais fortes esperanças. Principalmente porque Cristovam assumiria o Ministério da Educação. Via nisso um sinal de que o governo petista poderia de fato ser benéfico para o país.
Eu tinha 19 anos à época. Não sabia muita coisa da vida, muito menos de como as coisas funcionam. O PT mostrou-se ser um partido com um firme comprometimento com suas origens: os sindicatos. Lula, José Dirceu, Genuíno e companhia implementaram um sistema bastante eficiente de desvio de verbas e aumento exponencial da máquina pública. Criaram mais de trinta ministérios e secretarias especiais com o único e pomposo objetivo: empregar companheiros.
A minha esperança e de muitos foi desfeita e substituída por um grande desprezo pelo PT. Hoje, após longo aprendizado, tenho princípios políticos que destoam e muito do lulismo-petismo. Sou contra a idéia de que Estado forte é sinônimo de Estado com muitas funções. Eficiência da máquina pública ocorre justamente quando suas funções são limitadas ao essencial.
Meu voto de 2002 foi sobremaneira influenciado pela oposição do PT ao governo Fernando Henrique. As duas administrações tucanas foram repletas de mudanças institucionais e com consequências graves tanto para o emprego quanto para a renda das pessoas. Muitos ficaram desempregados, muitos viram seu poder aquisitivo se corroer. A classe média ficou espremida entre a redução da miséria e uma classe alta que pensa em dólar. Os salários dos servidores públicos ficaram anos sem aumento. Tudo, enfim, conspirando para que o partido dos trabalhadores fizesse oposição e conseguisse chegar ao poder.
O discurso barato do petismo-lulismo, porém, é facilmente deslocado se os dados forem levados à luz. Graças às mudanças econômicas que tivemos em toda a década de 90, o Brasil se constituiu em uma economia moderna, com uma arquitetura macroeconômica consolidada e com grande potencial de crescimento. Diante disso e gozando de uma conjuntura internacional privilegiada, o governo petista surfou em números médios de crescimento econômico bastante avantajados, se comparados ao seu antecessor.
Pecou, porém, em não dar sequência às mudanças institucionais iniciadas ainda no governo Collor. Um país se constroi, ao contrário do que pensa o lulismo-petismo, com uma sequência de boas políticas públicas. Não é da noite para o dia. Não é a partir de um único político dotado de virtudes messiânicas que se constroi uma nação desenvolvida.
Sem esse conhecimento básico, o governo petista deu de ombros para as reformas estruturais. Não quis saber de operar a reforma trabalhista, tão pouco a política ou a do judiciário. Ignorou a reforma tributária, que tanto bem traria para a melhoria de nosso ambiente de negócios. Preferiu, isso sim, uma agenda baseada na inauguração de obras mal planejadas, no inchaço da máquina pública e no discurso assistencialista. Preferiu as bolsas e as bravatas.
Nas eleições de 2010, ciente do atraso institucional que tivemos nos últimos oito anos, minha função como eleitor é dar sequência às reformas estruturais iniciadas na década de 90. Para isso, não há outra escolha que não seja uma administração tucana. Precisamos de um governo comprometido com o enxugamento da máquina, com a eficiência do gasto público, com a noção de que as reformas institucionais são importantes para a construção de um ambiente de negócios renovado. Precisamos de um governo ciente de que Estado forte não é sinônimo de Estado com um acúmulo imensurável de funções. Diante das opções disponíveis e, se não ocorrerem modificações no quadro eleitoral, minha opção será José Serra.
Dentro do PSDB não seria minha primeira opção. Serra não é um representante fiel do pensamento que acabei de expressar. Ele reza pela cartilha do desenvolvimentismo, aquele mesmo que nos deu uma imensa dor de cabeça chamada hiperinflação e que está sendo ressuscitada no programa petista. Mas um governo Serra tem mais chances de implementar aquelas reformas do que um possível governo Dilma. Estado indutor do desenvolvimento é aquele que constroi um ambiente harrmônico para empresas crescerem e não aquele que se torna empresário.
No tocante à educação, seja qual for o candidato que vença, espero apenas que a evolução que estamos tendo desde a universalização seja mantida. Acho que hoje a melhoria da educação foi tomada como uma instituição pela sociedade, com o envolvimento de pessoas físicas e jurídicas nesse processo. Não há mais volta ao passado nesse tema. Por isso, sou bastante otimista de que daqui a 20 anos tenhamos um sistema educacional bem mais adequado.
Espero que seja um bom embate e que possamos trocar idéias importantes para o país. Rezo por debates sem pancadaria e com discussões interessantes. Ao longo dos próximos meses vamos juntos dialogar sobre isso. Ganha o Brasil.
Emenda Ibsen
03.24
Entrevista rápida com o Helder sobre as consequências da emenda Ibsen para o Rio. Como diria o Bicalho, o IVDM está altíssimo…
Para que serve a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres?
03.08
Aparentemente para dar explicações toscas referentes às censuras impostas pelo governo petista:
Tá, tudo bem: para dar emprego aos companheiros de partido também…

