Archive for the ‘Teoria Econômica’ Category

Para ler no final de semana…


2009
01.16

Todo estudante de economia conhece Greg Mankiw. Seja pelo seu blog, seja por seus livros, este novo-keynesiano é um dos mais proeminentes economistas da atualidade. Um de seus papers, titulado de “The Macroeconomist as Scientist and Engineer”, exprime como poucos o legado de nossa profissão. Na atual crise, muito das divergências sobre como fazer as economias nacionais voltarem a crescer se origina justamente em como nós economistas nos posicionamos frente à ciência. Se somos “solucionadores de problemas” (ao qual Mankiw chama de Engineers), tendemos a ter olhos keynesianos e defendemos, em maior ou menor grau, a intervenção estatal. Já, ao contrário, se somos “construtores de modelos” (os Scientists), tendemos a ter olhos novo-clássicos e acreditar que o mercado indicará o caminho.

Há uma posição melhor do que outra? Ser engenheiro ou ser cientista? A resposta de Greg Mankiw não é uma, nem outra. Assim como procuro defender neste blog, o economista deve unir ciência e arte para entender o sistema econômico e sobre ele atuar da melhor forma possível. É por isso que a leitura desse artigo é fortemente recomendada. Bom fim de semana para todos!

Artigo: Política Monetária e economistas


2008
12.18

Meu artigo sobre política monetária e as divergências entre economistas foi publicado no site do Instituto Millenium. Para lê-lo clique aqui.

Críticas a Lord Keynes…


2008
12.15

Em tempos de crise na economia mundial não são poucos os economistas que citam Lord Keynes para respaldar políticas anticíclicas…

Mas não são todos. Álvaro Cerqueira, em artigo titulado de “Keynes, o mago da inflação”, cita Hayek e faz críticas contundentes a J. M. Keynes. Veja a passagem abaixo, por exemplo:

“Imagine você empregos para todo mundo, o tempo todo. Assim, os Bancos Centrais simplesmente teriam que aplicar a equação de Keynes (Y=C+I+G) e assegurar que a macrodemanda sustenta adequadamente a macro oferta através da mágica “G”. Na fórmula, “G” representa os gastos do governo, para o paraíso econômico e alegria dos políticos”.

Exagero?!?!?

Ao contrário do que muitos pensam, as inovações trazidas pela Teoria Geral não se resumem à intervenção do Estado na economia – ainda que esta possa ser apontada como sua prescrição normativa. Esta obra é singular na história do pensamento econômico por outro motivo: entende a economia como um sistema em permanente desequilíbrio. Algo que antes dela era impensável em se conceber – vide a construção walrasiana de equilíbrio.

Conceber políticas econômicas em um sistema dinâmico é completamente diferente de concebê-las em um sistema estático. É claro que há de se reservar papéis importantes tanto para a política monetária quanto para a política fiscal. O problema que se viu após a criação de Keynes foi justamente utilizá-las como panacéia. É justamente isto que deve ser criticado. Ao contrário de pensar no uso (e abuso) de políticas de curto prazo para “sensibilizar” a demanda, é preciso mobilizar forças que melhorem a alocação de recursos no país. É dai que provém o crescimento econômico sustentado…

Isto porque, se focalizarmos em demasia no curto prazo, de fato, “no longo prazo estaremos todos mortos”…

Os governos devem intervir na economia?


2008
12.05


“Practically every day the government launches a massively expensive new initiative to solve the problems that the last day’s initiative did not. It is hard to discern any principles behind these actions. The lack of a coherent strategy has increased uncertainty and undermined the public’s perception of the government’s competence and trustworthiness.

The Obama administration, with its highly able team of economists, has a golden opportunity to put the country on a better path. We believe that the way forward is for the government to adopt two key principles. The first is that it should intervene only when there is a clearly identified market failure. The second is that government intervention should be carried out at minimum cost to taxpayers.”

Ao contrário do que pensam alguns, os liberais também acreditam que a intervenção do Estado na economia é válida. Isso, inclusive, é um princípio segundo o qual “os governos às vezes podem melhorar os resultados dos mercados”. A questão que advém desse comentário é em que momentos os governos devem promover tal interferência. Segundo a teoria econômica, tais momentos são chamados de “falhas de mercado” (market failures). Eis alguns exemplos:

a) Bens públicos (bens em que o consumo de uma pessoa não invalida o consumo de outro e é praticamente impossível excluir alguém de seu consumo. Ex: iluminação pública);

b) Monopólios Naturais (onde é mais eficiente a atuação de uma empresa);

c) Assimetrias de Informação (na troca entre dois agentes um detém mais informação do que outro, exigindo assim a regulação da informação pelo poder público. Ex: a validade de determinados produtos perecíveis);

d) Incerteza na oferta de bens (o ambiente econômico não permite investimentos de mais longo prazo de maturação);

e) Mercados incompletos (saúde e educação, por exemplo);

d) Desemprego e inflação;

Em cada um desses casos a intervenção do Estado se justifica. Mas não qualquer intervenção. Ela deve ser feita da forma mais eficiente possível, de modo a não onerar em demasia o contribuinte.

Pós-keynesianos explicam a crise?


2008
10.13

Não, eles não explicam.

Além do bom-senso


2008
05.28

“O economista (…), esse pobre coitado que milita numa área onde todos têm opinião, convive desde o seu nascimento com a acusação de que seu saber não tem nada de especial”. (G.H.B. Franco)

A política econômica é, sem dúvida, a área da economia que mais sofre do mal da “não excepcionalidade”, como bem descreve na epígrafe deste artigo o economista Gustavo Franco. Afinal, todo cidadão razoavelmente bem informado parece ter alguma opinião sobre o nível dos juros, sobre o desemprego ou sobre a inflação. Por um lado, isso é bom pois destaca a importância das decisões de política econômica na vida das pessoas. Por outro lado, passa a idéia de que tais decisões dependem apenas de bom senso e que não existem custos associados a estas. Aqui procuro identificar os aspectos teóricos principais que estruturam a moderna política monetária adotada pelos principais Bancos Centrais do planeta.

A crise de 29 pôs a política econômica no centro do debate, tanto teórico quanto prático. Após a publicação da Teoria Geral, em 1936, pelo economista inglês J.M. Keynes, tornou-se consensual de que cabia ao Estado a incumbência de intervir na economia, objetivando manter níveis ótimos de emprego e renda. Tal pensamento originou aquilo que ficou conhecido como “ativismo fiscal e monetário”, dada a utilização ativa pelos governos de mecanismos fiscais, como impostos e transferências, e mecanismos monetários, como a expansão do crédito, para aquecer a economia.

Esse “consenso intervencionista” começou a ruir com o fim de um dos pilares da síntese neoclássica: a curva de Phillips adaptada por Solow-Samuelson. Esse importante instrumento macroeconômico mostrava que parecia existir uma relação estável entre inflação e desemprego, de modo que seria possível escolher entre diferentes níveis destes. Seria como um “menu”, a disposição do policymaker, de escolha entre um pouco mais de inflação para um pouco menos de desemprego. Os economistas Milton Friedman e Edmund Phelps, entretanto, mostraram que tal relação era entre variabilidade de inflação e variabilidade de desemprego. Desse modo, caso o policymaker quisesse manter a taxa de desemprego permanentemente abaixo de sua “taxa natural”, seria necessário lidar com uma taxa de inflação em expansão. Em outras palavras, não havia uma escolha entre um nível de inflação e um nível de desemprego, mas sim entre manter a taxa de desemprego baixa e arcar com uma inflação cada vez mais alta. Essa “escolha” seria possível apenas no curto prazo, dada a existência de alguma rigidez de preços e salários, mas no longo prazo o efeito de uma expansão monetária seria apenas um aumento de preços, nada impactando no crescimento da economia (na redução do desemprego).

O fim do sistema de Bretton Woods e o primeiro grande choque do petróleo, no início da década de 70, acabaram de enterrar as idéias de ativismo ou discricionalismo fiscal e monetário. Os Bancos Centrais passaram então a adotar regras com as quais conduziam a política econômica. Apesar de na mesma época ter sido produzida mais uma “revolução” no mercado das teorias macroeconômicas – a “revolução das expectativas racionais”, liderada pelos economistas Robert Lucas e Thomas Sargent -, tal escolha de regras em detrimento de discricionalidade parece ter sido tomada tendo com principal influência o economista Milton Friedman. Foi ele quem propôs a estipulação de uma regra fixa de crescimento dos agregados monetários, pari passu o crescimento do PIB.

As regras possuem a vantagem de eliminar o chamado “viés inflacionário” dos policymakers, i.e., a possibilidade destes optarem por menos desemprego, explorando o trade-off de curto prazo entre inflação e desemprego. Como existe o comprometimento com um determinado nível de inflação, os agentes tendem a acreditar no Banco Central, formando suas expectativas sobre a inflação futura de acordo com a meta. Existindo o compromisso, existe portanto convergência entre inflação esperada e inflação efetiva. A principal desvantagem da utilização de regras é que ela seria pouco flexível para lidar com choques inesperados na economia. Um meio termo, a existência de válvulas de escape, passou a vigorar de modo a lidar com o trade-off flexibilidade e credibilidade das regras.

A partir da década de 80 a idéia de utilizar uma regra sobre os agregados monetários ruiu, dadas as crescentes inovações no mercado financeiro e a consequente volatilidade na velocidade-renda da moeda. Uma série de papers então demonstrou que o mais correto seria utilizar a taxa de juros de curto prazo como instrumento de política monetária, de modo a controlar o nível de inflação, por meio da balização das expectativas dos agentes econômicos. Os central bankers adotam hoje em dia metas de inflação, tendo os juros como principal instrumento, certos de que no longo prazo a política monetária afeta apenas os preços, não tendo nenhum impacto sobre o crescimento econômico. Este, a propósito, é dado por fatores reais, como investimento em capital fixo e em educação básica, de modo a melhorar a capacidade produtiva do país.

Essa pequena viagem ao passado serve para desmitificar a idéia de que o Banco Central pode sistematicamente “causar” o crescimento econômico por meio de uma política monetária expansiva – uma redução da taxa de juros. Os analistas, jornalistas e até mesmo economistas que propagam esses mitos estão faltando com a verdade. No curto prazo uma redução da taxa de juros pode efetivamente aumentar a demanda por bens e serviços, causando algum crescimento do PIB e uma consequente redução do desemprego. No longo prazo, entretanto, caso o central banker insista em uma política monetária expansiva, a taxa de inflação será continuamente alta.

É claro que o debate sobre o nível adequado da taxa de juros é algo bastante pertinente. Desde o início do Plano Real, em julho de 1994, nosso país tem tido, sistematicamente, a maior taxa de juros do mundo. Não se pode, entretanto, tratar essa questão sem o referido conhecimento da teoria macroeconômica. O Banco Central brasileiro, apesar de gozar de alto grau de autonomia e possuir um modelo não-estrito de metas de inflação, ainda tem muito por avançar para alcançar alta credibilidade. Somente com esta será possível eliminar integralmente o “viés inflacionário” que ainda afeta as expectativas dos agentes econômicos.

Além das expectativas, o câmbio é outro canal de transmissão da política monetária brasileira bastante importante. Em economias subdesenvolvidas existe uma convergência bastante forte entre inflação doméstica e o nível da taxa de câmbio. Isto é, uma taxa desvalorizada tende a afetar sobremaneira os índices de inflação. Isso ocorre dada a imperfeita integração dessas economias ao comércio internacional. Ao longo do Plano Real os juros foram mantidos excessivamente altos de modo a atrair capitais estrangeiros, mantendo a taxa de câmbio valorizada, contribuindo para manter a taxa de inflação sobre controle. Até janeiro de 1999 essa forma de atuação era explícita, pelo uso das bandas cambiais (regime de crawling peg). Depois disso, com a megadesvalorização do real, tal comportamento passou a ser implícito, passando a falsa idéia para o público leigo de que o Banco Central deixou de se preocupar com o câmbio.

Assim sendo, é preciso ter cautela quando se discute temas de política econômica. Apesar de serem questões bastante palpáveis e que, por isso, afetam diretamente o nosso dia-a-dia, o senso-comum – e mesmo muitos de seus sinceros estudiosos – parece não conhecer os pormenores que interligam essas decisões. Antes de sair por ai argumentando que o nível dos juros está alto, é preciso entender como ele se articula com as demais variáveis macroeconômicas. Isto porque, assim como todos nós temos alguma opinião sobre determinada doença e, até certo ponto, indicamos remédios, é mais prudente ao enfermo buscar ajuda médica especializada do que confiar no julgamento de leigos. Com a inflação e o desemprego parece ocorrer o mesmo.

Também sobre esse tema: http://www.ordemlivre.org/node/242

Por que o Brasil não precisa de política industrial?


2007
10.29

Excelente paper…

Por que o Brasil não precisa de política industrial?

Modelo Kaldoriano


2007
10.14

Para terminar a noite, já que estou na entre-safra de provas, acabei pegando o artigo “A macroeconomia do crescimento puxado pela demanda”, inspirado no modelo kaldoriano. O autor, José Luis Oreiro (entre outros), refuta o modelo neoclássico, que diz que o crescimento econômico (no longo prazo) seria limitado pela acumulação de capital, mão de obra (quantidade e qualidade) e pelo progresso tecnológico.

Kaldor utiliza a idéia de que tanto a disponibilidade de capital quanto o progresso tecnológico são dados endogenamente e não, como diz o modelo de Solow, exogenamente. A partir disso, o autor considera que o investimento se adequará ao aumento de demanda, sendo esta no longo prazo o determinante do crescimento.

Assim sendo, para Kaldor, a taxa de crescimento do produto real seria dada pela taxa de crescimento da demanda agregada autônoma, qual seja, aquela que não depende do nível de renda ou de produção.

Essa DA autônoma seriam justamente as exportações e os gastos do governo. Dai que o modelo é chamado (mais conhecido) como modelo de crescimento liderado pelas exportações.

Achei a idéia interessante do autor, apesar de não concordar com a segunda parte do texto, que faz uma aplicação para a economia brasileira no período recente. Isto porque, o autor refuta a idéia de que o Brasil não possui limitantes na sua oferta para crescer. Ora, em todos os últimos ciclos econômicos que tivemos, houve justamente um limitante na expansão da capacidade de produção, que sempre gera uma aceleração dos preços, causando um aumento da SELIC e como contrapartida, uma interrupção no crescimento.

Mas, vale a pena em um domingo onde o Brasil jogou mal e não tem mais nada para fazer…

Por que escolher a cerveja?


2007
09.20

Hoje estou cansado. Mas, para não deixar em branco essa minha entrada na net, vou postar um comentário despretensioso sobre ‘economia de botequim’. Estava voltando para Niterói nas famosas e delirantes Barcas S/A (sim, ainda estou no sagrado e impecável Rio de Janeiro) e tive uma lição econômica…

Como estava com sede e havia avistado uma moça simpática com uma espécie de “quiosque” vendendo água, fui ao seu encontro. Ela vendia três produtos: coca-cola, cerveja (itaipava) e água. Todos por R$ 2. Bem, em um mercado normal, com outros produtores (vendedores) competindo pelos compradores, dificilmente esses três produtos teriam preços iguais e nesse nível. Mas, dentro das Barcas S/A, a nossa simpática vendedora atua como monopolista, colocando o seu preço onde ela bem quiser e da forma como ela quiser.

Assim, tendo uma necessidade (a sede) e enfrentando um monopolista, o jeito foi pagar os R$ 2. Mas, antes de tomar minha decisão de compra, ainda tinha que ponderar mais um detalhe: qual produto escolher, dado que os três tinham um preço igual. Dai entra um outro conceito econômico, que é o nível de utilidade (o grau de satisfação) que eu dou para cada um.

O meu mapa de curvas de indiferença (como se organizam as utilidades, sendo que cada nível de utilidade/satisfação possui uma curva, um nível) ficaria assim:

Cerveja > Refrigerante > Água

Ou seja, eu valorizo mais a cerveja, depois o refrigerante e por fim a água. Convertendo isso para uma curva de demanda isso quer dizer que o meu preço de reserva (o valor que eu estou disposto a pagar por um produto) é mais alto para cerveja, depois para refrigerante e por fim para água.

Dado que o preço dos três era igual, eu estaria sendo irracional (do ponto de vista estritamente econômico) se escolhesse a água, que possui uma utilidade menor para mim. Estaria desrespeitando um teorema econômico (que diz que o agente sempre prefere mais a menos)! Foi por isso que acabei escolhendo a cerveja, mesmo que ela não seja a cerveja que mais aprecio – ou seja, entre Itaipava e Skol eu preferiria a Skol, pois percebo esta como diferente aquela (outro conceito econômico: diferenciação de produtos), mas isso já é matéria para outro post.

Para quem acha que Teoria Econômica não serve para nada, tá ai uma explicação estritamente econômica de porquê eu escolhi a cerveja…hehehe

abç

As instituições informais e o desenvolvimento econômico


2007
08.29

Há muito tempo se pesquisa os efeitos das instituições no desenvolvimento econômico de um país. A nova economia institucional, liderada por Douglass North, busca “(…) desenvolver uma teoria econômica das instituições e prover um conjunto de evidências históricas sobre como as instituições afetam o desenvolvimento econômico das nações” (Medeiros, 2001) . No Brasil atual cresce o número de pensadores que procuram identificar nas nossas instituições – e não nas relações puramente econômicas – a causa de nosso subdesenvolvimento.