Os impactos da crise na economia portuguesa
Posted: outubro 9th, 2012 | Author: vitorwilher | Filed under: Setor Externo | Tags: crise europeia, economia portuguesa, resistência popular | No Comments »Um breve comentário para a BandNews FM aqui.
Um breve comentário para a BandNews FM aqui.
A próxima reunião do Comitê de Política Econômica (o Copom) nos dias 28 e 29 de agosto ocorrerá em meio a um início de retomada do nível de atividade. Um início tímido, é bem verdade, mas de acordo com o cenário central do Banco Central. Adicione-se a isso um choque de oferta no grupo Alimentos e Bebidas, causado pela seca norte-americana e pelo frio no Sul do Brasil. Será que o Comitê banca mais 50 pontos-base de corte na Selic?
O economista Alan Blinder em seu excelente Bancos Centrais: teoria e prática é direto sobre o que considera uma política monetária neutra: “(…) a definição proposta de neutralidade é orientada inteiramente para o controle da inflação, como parece apropriado dado que a estabilidade de preços é a responsabilidade prioritária de qualquer banco central. Segundo a minha proposta de definição, a política monetária ‘neutra’ é coerente com a inflação constante a médio prazo. Qualquer taxa de juros real mais alta constitui ‘contração monetária’ e acabará implicando em uma queda da inflação; qualquer taxa real mais baixa é ‘expansão monetária’ e sinaliza um aumento de inflação”.
A Grécia entra novamente no radar dos investidores e abala os mercados. O impasse político grego tem gerado intensa volatilidade nas bolsas, mercados de câmbio e de juros. A Espanha fez emissão recente de títulos e acabou pagando spread mais elevado. O problema, leitor, não é muito a Grécia. Sem querer menosprezar o país, mas a Grécia pouco importa para os investidores. A questão central é o risco de contágio: se a Grécia sair do euro, a pergunta que fica é quem será o próximo. Desse modo, só gostaria de dizer duas coisas: i) não existe saída organizada, vai gerar muito stress; ii) não dá para comparar a Grécia com a Argentina, como já vi gente [boa, inclusive] fazendo, porque o efeito sistêmico será muito maior no caso grego. Em outras palavras, a saída do euro é ruim tanto para a Grécia quanto para os demais países da União Europeia.
O fraco desempenho da economia brasileira no primeiro trimestre, a continuação dos problemas na zona do Euro e a ainda tímida retomada norte-americana, somadas à mudança na remuneração da caderneta de poupança impulsionou a Curva de Juros a precificar mais dois cortes de 50 pontos-base cada. Isto é, na próxima reunião do Copom, a acontecer em 29 e 30 de maio, a Selic cairia para uma mínima histórica de 8,5%. Será?