Posted: maio 20th, 2011 | Author: vitorwilher | Filed under: Romances | Tags: amores urbanos, escritos, literatura, poesia, rabiscos, romances | No Comments »
Sempre achei curioso e ao mesmo tempo um tanto quanto assustador o fato de que o curso total ou parcial de nossas vidas depende de uns poucos eventos. Anos ficam à sombra de parcos minutos ou no máximo horas. Um ou outro acontecimento determina uma grande parte do tempo em que respiramos nesse mundo. A curiosidade me vem em imaginar como minha vida seria diferente se determinadas situações tivessem se materializado de maneira distinta. Se por acaso do destino uma escolha que fizesse fosse mudada, tudo o mais constante, como seria meu futuro? Tal comportamento sempre me traz a cabeça o velho Sampaio, professor de História dos meus primeiros anos de ginásio. O “se”, ele dizia, não entra no estudo histórico, porque ele simplesmente não aconteceu. Ficava enfurecido, o senhor de face arredondada, óculos fundo de garrafa e estatura desproporcional, toda vez que um aluno seu imaginava outra versão para os fatos. E se, cogitava alguém só para implicar com o velho, Napoleão não tivesse invadido a Rússia, hoje falaríamos todos francês? “Não faça isso seu peralta inconseqüente!”, o velho gritava lá da frente, dando murros vibrantes no quadro negro. E pagava sempre o mesmo sermão, reavivando nossas memórias para os fatos. A História trata apenas dos fatos, dizia ele. Nada mais do que os fatos. Mas mesmo com aqueles avisos constantes e os murros esbravejados, nunca perdi o hábito de cogitar outras versões para minha própria história.
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Posted: maio 9th, 2011 | Author: vitorwilher | Filed under: Romances | Tags: amores urbanos, literatura, literatura e economia, romances urbanos | No Comments »
Deixei Ana um tanto quanto desapontada algumas páginas antes. Aqui volto a ter com ela contato. O faço para cessar minha dívida com o leitor e também para que o mesmo recupere o próprio fôlego. O que disse é que aprendera com ela minha primeira lição em relação às mulheres. Todas elas, sem exceção nesse caso, perdem o interesse quando são plenamente cortejadas. E eu, demonstrando a menor das atenções possíveis, me fiz o melhor alvo que Ana teria daquele dia em diante. Não passava um dia em que não viesse acompanhar as peladas na rua. Ao ouvir da primeira batida de bola, lá estava ela a abrir o portão e sentar-se carinhosa e cuidadosamente no banquinho de cimento da sua calçada. Meus olhos a essa altura brilhavam, é claro. Tudo o que o leitor já sabe se repetia toda vez que dava de cara com aqueles olhos azuis.
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Posted: maio 4th, 2011 | Author: vitorwilher | Filed under: Romances | Tags: amores urbanos, literatura, prosa, romance | 2 Comments »
Uma única vez, isso não posso deixar de relatar, minha excitação futebolística aumentou por apenas um grito feminino. Por apenas um ungido solitário e plenamente identificável. Quando a vizinha do lado direito resolvia torcer por mim, com gritinhos abafados, porém plenamente absorvidos, eu sentia algo diferente. A vontade de jogar mais e melhor permanecia, mas não se tratava agora apenas disso. O que eu queria com tudo aquilo era que ela permanecesse comigo, torcendo por mim.
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Posted: dezembro 9th, 2010 | Author: vitorwilher | Filed under: Crônicas Urbanas | Tags: casos de uma noite, histórias de amor, literatura, machado de assis, paixões, relacionamentos | No Comments »
Texto escrito em Outubro de 2008
Madrugada quente no Rio de Janeiro. Para distrair o vazio do quarto e a insônia que já me acompanha há anos, releio Dom Casmurro. Esbarro, como um bêbado em dia de ressaca, por mais de uma vez, com os “olhos oblíquos e dissimulados de Capitu”. Na primeira passo batido, assim como na segunda. Na terceira vez que releio essa passagem, entretanto, um raio cai em minha cabeça: penso na Ana.
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